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Quem é o criminoso procurado há mais tempo pela Justiça brasileira?

Antonio Afonso Coelho tem contra si um mandado de prisão expedido em 1990, com validade até 2040; mesmo condenado pelo júri, ele nunca foi encontrado

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 fev 2026, 09h00 • Atualizado em 1 fev 2026, 10h47
  • Uma cidade com menos de 50 mil habitantes às margens do rio Tocantins, no norte do Pará, é oficialmente o palco do crime que condenou o homem procurado há mais tempo pela Justiça brasileira. Antonio Afonso Coelho foi condenado pela Justiça de Baião por um homicídio cometido em 1989, há 37 anos, pelo qual ele nunca foi preso.

    Coelho é alvo do mandado de prisão em aberto mais antigo do Brasil. O caso dele se soma às quase 300 mil ordens prisionais pendentes de cumprimento, tema de reportagem da edição nº 2980 de VEJA. Nessa longa lista de procurados, há criminosos famosos, como André do Rap, traficante do PCC, e o bicheiro Bernardo Bello, que se tornou personagem de séries sobre o jogo do bicho. No entanto, a grande maioria dos procurados são pessoas anônimas, que, como Coelho, estão à margem da Justiça.

    O caso dele aconteceu na Fazenda Piratininga, no quilômetro 50 da Rodovia Transcametá (BR-422), na altura da cidade de Baião. Embora seja uma federal, a rodovia até pouco tempo atrás não tinha asfalto. De acordo com documentos do processo judicial, Coelho matou a tiros de espingarda Antonio da Silva Borges da Costa por causa de uma suposta ameaça de morte, no dia 12 de dezembro de 1989, pouco depois das 14h. A vítima morreu na hora.

    A Justiça do Pará expediu um mandado de prisão preventiva em 1990, mas ele nunca foi cumprido. Havia uma suspeita de que o assassino tivesse fugido para Minas Gerais, que nunca se confirmou. Coelho não constituiu advogado e nem se defendeu no processo, por isso não há a versão dele sobre o que aconteceu. O Tribunal do Júri de Baião condenou ele em junho de 2012, 23 anos depois do crime.

    Os jurados consideraram Coelho culpado e o juiz do caso, Weber Lacerda Gonçalves, entendeu que a suposta ameaça de morte foi um “motivo fútil”, usando esse argumento para aumentar a pena do assassino. “O réu agiu sem dar chance de defesa à vítima, já que atirou de repente, sem avisá-la e sem que esta pudesse reagir”, diz trecho da sentença (leia a íntegra ao final). Coelho não tinha nenhuma passagem policial antes desse episódio.

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    O mandado de prisão preventiva foi expedido com validade de 50 anos — ou seja, vale até 2040. Se Antonio Afonso Coelho ainda estiver vivo, completou 71 anos no domingo passado, 25.

    Leia a sentença de condenação do procurado mais antigo do Brasil

     

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