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Prisões, abandonos e sonho de ser domador: quem era o jovem morto por leoa em jaula

Gerson de Melo Machado, que morreu aos dezenove anos de idade, tinha histórico de transtorno mental, inclusive na família

Por Anna Satie Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 dez 2025, 14h33 • Atualizado em 3 dez 2025, 14h36
  • A Polícia Civil da Paraíba afirmou que a perícia do corpo de Gerson de Melo Machado, que invadiu a jaula de uma leoa em um parque zoobotânico em João Pessoa, aponta que a morte foi causada por ferimentos no pescoço. Foi feito ainda um exame toxicológico, com resultado ainda pendente.

    Gerson, que tinha dezenove anos de idade e histórico de transtorno mental, escalou no último domingo, 30, uma parede de seis metros, atravessou as grades de segurança, alcançou uma árvore e entrou no recinto da leoa Leona, conforme mostram vídeos gravados por outros visitantes — o parque estava aberto e em funcionamento quando a tragédia aconteceu.

    A equipe do parque disparou jatos de um extintor para tentar distrair o animal, mas não conseguiu evitar o pior. O corpo do jovem foi sepultado no dia seguinte. De acordo com o jornal Correio 24 Horas, apenas duas pessoas compareceram ao enterro: uma prima e a mãe do jovem, que também tem esquizofrenia e perdeu a guarda dos filhos há mais de dez anos.

    Visitantes do parque filmaram o momento em que Gerson invadiu a jaula da leoa Leona, no último domingo, 30
    Visitantes do parque filmaram o momento em que Gerson invadiu a jaula da leoa Leona, no último domingo, 30 (Reprodução/Redes sociais/Reprodução)

    A morte de Machado expôs a dificuldade do poder público em proteger pessoas nessas condições. A vida de Vaqueirinho, como ele era conhecido, foi uma sucessão de abandonos. A conselheira tutelar Verônica Oliveira conta que ele era atendido desde os dez anos de idade, e que foi levado até ela pela primeira vez pela Polícia Rodoviária Federal, que o encontrou sozinho na rodovia. Ela conta que a instituição solicitou laudos para confirmar o transtorno do garoto, mas que o Estado dizia que ele só tinha problemas comportamentais. “O Gerson precisava de um tratamento que não foi oferecido”, falou.

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    Como resultado, ele tinha dezesseis passagens pela polícia, a maioria por pequenos furtos e danos, segundo funcionários da penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa. Em um dos episódios, ele teria jogado pedras em uma viatura para sair das ruas e retornar à delegacia. “Era uma tragédia anunciada”, disse o chefe de disciplina da instituição, Ivison Lira. “Sem o devido tratamento, sem acompanhamento… está aí o resultado. A gente via que o raciocínio dele era de uma criança de cinco anos”, disse.

    O diretor do presídio, Edmilson Alves, falou que o rapaz foi encaminhado para o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) por decisão judicial, mas que fugiu de lá. “Era uma situação muito delicada”, afirmou.

    Sonhava em ser domador de leões

    A conselheira Verônica contou que o sonho de Gerson era ser domador de leões, que ele falava sempre que ia pegar um avião para ir a um safári na África. Ele chegou a tentar: cortou a cerca do aeroporto e entrou no trem de pouso de um avião. “Graças a Deus, observaram pelas câmeras antes que uma tragédia acontecesse”, disse Verônica.

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    Ela relembra, ainda, as dificuldades que ele tinha no ambiente familiar. “Eu conheci a criança destituída do poder familiar da mãe, impedido de ser adotado como os outros quatro irmãos. Você só queria voltar a ser filho da sua mãe, que é esquizofrênica e não tinha condições de cuidado. Sua avó, também com transtornos mentais. Mas a sociedade, sem conhecer sua história, preferiu te jogar na jaula dos leões, relembra.

    Parque fechado

    A Prefeitura de João Pessoa lamentou a morte de Gerson em nota, e disse que o caso está sob investigação. O Parque Arruda Câmara está fechado desde a ocorrência, e assim continuará até a conclusão das apurações e procedimentos oficiais.

    A leoa Leona está recebendo acompanhamento, e a equipe técnica do parque garantiu que ela não será sacrificada. “Em nenhum momento foi considerada a possibilidade de eutanásia. A Leona está saudável e não apresenta comportamento agressivo fora do contexto do ocorrido”, escreveram.

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    SEM CULPA – Leoa: ao ver o desconhecido entrar, animal protege o território (Instagram/Divulgação)
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