Prisão de Maduro transforma Trump numa ameaça real ao petismo no Brasil
Presidente dos Estados Unidos se posiciona como personagem capaz de influenciar narrativas na disputa eleitoral de outubro, vital para Lula e o PT
Os termos que fertilizaram a longa relação de amizade construída por Lula, o PT e o MST com os regimes que destruíram a Venezuela, nas últimas décadas, são, ainda hoje, um grande mistério nesta esquina sofrida da América Latina.
Durante a Operação Lava-Jato, delatores ligados ao petismo chegaram a ensaiar abrir o baú das milionárias negociatas que envolveram o petismo e os ditadores Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Sabe-se com certeza que bilhões fluíram do Brasil aos cofres venezuelanos durante governos petistas — uma dívida nunca quitada nem explicada por completo.
No atual mandato, uma das frases mais impactantes de Lula sobre Maduro segue ainda fresca. “Quantos anos vocês passaram ouvindo que o Maduro era um homem mau”, questionou o petista ao apertar a mão do ditador venezuelano diante das câmeras de TV, no Itamaraty, em 2023, quando ainda defendia abertamente o ditador.
Lula e os governos petistas que passaram pelo Planalto têm intimidade e uma coleção de histórias mal contadas com o regime venezuelano. Viagens e conversas secretas de asseclas de Lula, aventuras de caciques petistas por Caracas… Material a ser explorado não falta.
Vem dessas constatações o manto de preocupação que cobre o Palácio do Planalto desde o último sábado, quando as forças dos Estados Unidos invadiram a Venezuela e capturaram Maduro e a mulher dele. Nas mãos de Donald Trump, sabe-se lá o que Maduro poderá oferecer para tentar amenizar seu encontro com a Justiça americana.
O fato é que a custódia de Maduro, a oposição — por ora amistosa — existente entre o governo Lula e a Casa Branca e a proximidade das eleições presidenciais formam um cenário fértil para intervenções internacionais na corrida eleitoral. Qualquer informação, verificada ou não — o que é lamentável constatar –, que venha Trump a divulgar em suas redes sobre segredos supostamente contados por Maduro de suas relações com o petismo terá repercussão imediata aqui no Brasil.
A custódia de Maduro, portanto, dá ao republicano possibilidades infindáveis de inflamar a disputa política no Brasil e em outros países que se misturaram com a ditadura venezuelana. Vem daí a constatação de que Trump, com a ação do último fim de semana na Venezuela, credenciou-se como personagem das eleições brasileiras.





