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Presa a Flávio Bolsonaro, oposição perde tempo valioso para fazer frente a Lula na eleição

Sem programa de país nem discurso para fora da bolha bolsonarista, filho do ex-presidente torna caminho de Lula à reeleição menos turbulento

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 12h25 • Atualizado em 26 jan 2026, 12h40
  • O que Lula deseja para o país é sabido. Contente com a atual gestão, marcada por programas reciclados e expansão vertiginosa de gastos, o petista avisou na semana passada que fará uma campanha de “comparação”.

    Ciente de que do outro lado da disputa poderá ter Flávio Bolsonaro como oponente, o petista apostará no resgate da memória dos brasileiros sobre o que foi a aventura bolsonarista no Planalto. Do confronto com as instituições, passando pelo negacionismo da pandemia e as crises fabricadas, com a China, com a imprensa, com agendas ideológicas na educação, na cultura e em outras áreas da máquina pública.

    Tomando-se por referência as últimas pesquisas, é o melhor caminho que o petista conseguiu para tentar conquistar os votos de eleitores que enxergam o petismo como um projeto ruim, mas ainda menos pior que o oferecido pelo bolsonarismo.

    Tentando dobrar aliados na base da força, como fez com Tarcísio de Freitas, Flávio ainda não disse a que veio. Das ideias para o futuro do país, deixou escapar apenas uma: vai colocar o irmão Eduardo Bolsonaro como chefe da política externa brasileira, reeditando os tempos de Ernesto Araújo no Itamaraty.

    Em 2018, Jair Bolsonaro venceu o petismo com um estilo semelhante. Sua proposta era tirar o petismo do poder — e o país a gente vê depois. Naqueles idos, o capitão tinha nomes como Paulo Guedes para ancorar as dúvidas sobre economia e outras políticas de controle fiscal na máquina pública. Flávio não tem esse trunfo e, ao que parece, deve demorar a colocar na rua algum tipo de discurso que desconstrua a gestão petista, aponte falhas de Lula no mandato e ofereça ao país uma alternativa visível de programa a ser levado em conta pelo eleitorado.

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    É muito pouco para uma oposição que em meados do ano passado dava como certa a vitória nas urnas. Nunca é demais lembrar que o jogo virou para Lula quando o potencial “chanceler” de Flávio cavou nos Estados Unidos a bomba do tarifaço contra todas as empresas brasileiras. Em dado momento, o filho de Jair Bolsonaro aconselhou empresários a abandonarem o Brasil para salvarem seus negócios. Esse tipo de deserto de ideias cresce com a passagem do tempo e preocupa caciques da direita.

    Com janeiro caminhando para o fim, Flávio mostra que seu foco está no eleitorado já convertido, que não vota no petismo e que tem alguma idolatria por Jair Bolsonaro.

    Na outra ponta, Lula ensaia ampliar seu discurso, também focado nos eleitores que votam no petismo e não votam na direita, buscando lançar luz sobre realizações do governo para além dos programas sociais de distribuição de renda.

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    Anunciando investimentos e o pagamento de benefícios sociais, o petista segue um caminho mais ativo na busca pela reeleição do que seus adversários. Dinheiro e máquina na mão são instrumentos poderosos na urna.

    A eleição de outubro, como dizem os analistas, será plebiscitária. O eleitor votará para manter ou não o governo atual no poder de acordo com sua experiência na vida real. Para quem deseja tirar o petismo do poder, o discurso atual é insuficiente para fazer essa canoa petista balançar. A oposição precisa fazer o eleitor sonhar com algo melhor, sem Lula, mas não há ideias disponíveis no momento.

    Em seu esboço presidencial, Tarcísio parecia ter achado um caminho. Questionar a condução de Lula no Planalto — ainda que com essa coisa de “novo CEO” — mostrando resultados do governo de São Paulo em contraste ao descalabro fiscal atual levava o debate eleitoral para um campo qualificado de comparação de resultados e de busca por melhores soluções para o futuro do país.

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    Esse movimento, ao que tudo indica, foi sufocado por Flávio na direita. Resta saber quem terá o ímpeto de bater de frente com o projeto familiar dos Bolsonaro e oferecer ao país um programa de governo com propostas que façam o eleitor pensar em aposentar Lula mais cedo.

    Criticar o “sistema”, bater nas instituições e louvar a defesa domiciliar de Jair Bolsonaro não é estratégia de quem precisa convencer o eleitor de que será o melhor governante ao país. É certo que bater no STF e suas questões dará muito voto neste ano, mas esse é outro assunto. A oposição precisa começar a falar com o eleitor sobre vida real, sobre violência, questões sociais, saúde, corrupção… A insistência em devaneios, como a caminhada de Nikolas Ferreira, joga a favor de Lula.

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