Por que Suzane von Richthofen foi nomeada gestora de herança milionária de tio
Justiça considerou que 'histórico criminal' não é relevante neste caso
A Justiça de São Paulo decidiu que Suzane von Richthofen será a inventariante da herança do tio dela, Miguel Abdalla Netto, que morreu aos 76 anos em janeiro deste ano. Ele não era casado e não deixou filhos ou testamento registrado em cartório. O espólio dele é estimado em 5 milhões de reais
Na decisão, obtida pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, a juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões considera Suzane a única pessoa apta para a função, já que a única pessoa que disputou o posto de inventariante é uma prima de Netto, Carmem Magnani. Por ser parente colateral de quarto grau, Carmem não pode ser herdeira, considerou a juíza.
A única outra pessoa que poderia reivindicar a herança seria o irmão de Suzane, que não quis se envolver no caso. “Esclareço que o histórico criminal da herdeira não tem relevância jurídica nestes autos e, considerada a falta de manifestação de interesse por parte do outro herdeiro, é ela a única pessoa apta ao múnus [à função]”, diz a decisão.
Além de prima, Carmem alega ter vivido uma união estável com Netto por 14 anos. A defesa dela disse que irá recorrer, e apontou que Suzane teria retirado bens da casa de Netto antes da decisão judicial.
Miguel Abdalla Netto era irmão de Marísia von Richtofen, mãe de Suzane e assassinada a mando dela, em uma tentativa de ficar com a herança. À época, em 2002, foi ele quem recorreu à Justiça para impedir que Suzane ficasse com os bens.
Ele morreu em janeiro deste ano na casa onde morava sozinho, na zona sul de São Paulo. A causa da morte ainda não foi determinada, e a Polícia Civil trata a morte como suspeita enquanto os laudos da perícia não são concluídos.
Suzane é ré confessa, condenada a 39 anos de prisão por mandar matar os pais. Desde 2023, ela cumpre o restante da pena em regime aberto.





