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Por que o advogado de um dos acusados de matar Marielle evocou capitão Adriano no STF

Defesa de ex-policial adotou tática suicida em julgamento ao expor suas conexões com o Escritório do Crime para tentar distanciá-lo do executor da vereadora

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 fev 2026, 16h49 •
  • A defesa do ex-policial militar Ronald Paulo Alves Pereira, o Major Ronald, lançou mão de uma estratégia inusitada para tentar livrá-lo da condenação no processo sobre o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, que começou a ser julgado nesta terça-feira, 24, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O ex-PM foi implicado no caso a partir da colaboração premiada de Ronnie Lessa, que confessou ter executado a vereadora e entregou os mandantes do atentado. Em uma tentativa de descredibilizar a versão do delator, a defesa não hesitou em expor as conexões de Major Ronald com o Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel.

    O advogado Igor Luiz Batista de Carvalho, que representa o ex-policial, argumentou que ele era “compadre” do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, de Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio, um dos fundadores do Escritório do Crime e adversário de Ronnie Lessa. Os dois, que um dia foram aliados, teriam rompido. Adriano foi morto em uma ação de policiais da Bahia em 9 de fevereiro de 2020.

    Segundo a defesa de Ronald, ele e Adriano tinham uma relação de “proximidade estreita”. “A relação deles era uma relação histórica”, argumentou o advogado na tribuna da Primeira Turma do STF.

    Ronald foi apontado na delação de Ronnie Lessa como tendo sido responsável por monitorar os passos de Marielle nas semanas que antecederam o crime. A defesa sustenta que não é verossímil acreditar que dois “inimigos” teriam agido em conluio. Isso seria, nas palavras do advogado, “apontar o canhão para ele mesmo”. Ronald e Lessa eram inimigos. Estamos falando de pessoas que possuíam interesses antagônicos”, seguiu o criminalista.

    O advogado exibiu até mesmo um trecho do depoimento do delegado Giniton Lages, que narrou que Ronald “não estaria na mesma caixa do Ronnie Lessa. Ele estaria na caixa no Escritório do Crime”.

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