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Policiais do Rio recebem coaching de inteligência emocional

Agentes de segurança pública participaram de seminário referência na área durante o final de semana

Por Maria Clara Vieira - Atualizado em 31 jan 2020, 13h39 - Publicado em 27 jan 2020, 19h12

Durante o último fim de semana, 79 agentes de segurança pública do Rio participaram de um seminário sobre inteligência emocional promovido pela Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico (Febracis). O evento foi ministrado pelo coach Paulo Vieira, o autor de autoajuda mais vendido de 2019 segundo a lista de VEJA. Policiais, bombeiros militares e profissionais do Departamento Penitenciário Nacional estiveram presentes no curso, que propõe que participantes reflitam sobre suas “crenças limitantes”, suas memórias traumáticas e objetivos de vida.

Segundo a Febracis, a oferta de vagas gratuitas para policiais se dá principalmente por causa do alto índice de suicídio entre estes profissionais (só em 2018, foram 104 casos registrados no Brasil). Vieira, que já treinou mais de 3 500 agentes de segurança no país, conta que um dos objetivos do curso é ensinar os participantes a lidarem com o estresse. “Nós somos moldados pelas nossas lembranças. Quando esse cara entra na polícia, tem uma superposição de memórias de medo, até que elas sejam as únicas que ele consegue acessar e ele começar a levar isso para dentro de casa”, explica o coach.

O bombeiro militar Gabriel Lobato, de 35 anos, foi um dos participantes dessa edição do Método CIS, como é chamado o seminário, e aprovou a experiência. “Participei dos resgates em Brumadinho e tive que lidar com uma carga emocional muito grande. Vim descobrir como isso afeta minha vida pessoal e profissional”, conta. O policial Victor Natário, de 29 anos, também elogiou o curso e chamou atenção para a falta de profissionais voltados para a saúde mental. “Com frequência, o efetivo de psicólogos não dá conta das necessidades da polícia”, disse o militar, a VEJA.

Desenvolvido por Vieira, o Método CIS utiliza conceitos de neurociência, física quântica e programação neurolinguística – uma técnica controversa segundo a qual o ajuste da linguagem oral e corporal pode impactar na obtenção de resultados. Entre as atividades do curso, há exercícios que envolvem abraços, “olho no olho” e a repetição do “yes“, que se tornou a marca do conferencista. Para reprogramar as memórias traumáticas dos policiais, por exemplo, o coach cita um exercício no qual os participantes são levados a refletir sobre toda a sua vida, desde o seu nascimento. “Fazemos com que a pessoa olhe para esse momento e sinta amparada conforme caminha pela linha do tempo”, esmiúça.

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