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Planalto frita Dias Toffoli para tentar evitar que escândalo do Master prejudique Lula

Segundo fontes palacianas, o presidente tratou da investigação em curso no STF com o relator do caso num almoço sigiloso no fim do ano passado

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jan 2026, 07h47 • Atualizado em 27 jan 2026, 09h57
  • A conversa de Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro era conhecida desde o ano passado, quando Lauro Jardim revelou que Guido Mantega, então consultor do banqueiro, havia aberto as portas do gabinete presidencial ao dono do Banco Master.

    Como ocorre em diferentes casos na atual gestão petista, o sigilo marca esse encontro, ocorrido no fim de 2024, quando a barca do Master já começava a fazer água distante dos holofotes.

    Resgatada agora, a memória do encontro ganhou outros contornos que, associados aos movimentos do governo para fritar o ministro do STF Dias Toffoli, mostram, segundo auxiliares palacianos, uma ação para afastar o escândalo do gabinete presidencial. Se Lula sabia o que reservava o caso Master, poderia ter atuado. Se atuou, seus movimentos não são conhecidos.

    Candidato à reeleição, Lula se antecipa a informações de que figuras do governo e do petismo se misturaram no caldeirão de inconfessáveis negociatas que marcam o escândalo.

    Motivos não faltam a preocupar o petista. Soube-se nesta semana que um de seus principais ministros — hoje fora do governo — também estava na folha de pagamento de Vorcaro. O escritório de Ricardo Lewandowski, enquanto comandou a Justiça, recebeu regiamente parcelas de um contrato milionário firmado com o dono do Master, segundo revelou o Metrópoles.

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    Fosse Lewandowski ainda ministro, os constrangimentos da relação comercial tirariam a paz de Lula. Como a gestão do ex-ministro do STF ficou no passado, a coisa mudou de figura. Lula assiste em silêncio a auxiliares vazarem o conteúdo de uma conversa — também sigilosa — que o petista teve com o ministro Toffoli no fim do ano sobre o caso.

    Parece fora de lugar, mas segundo as versões palacianas, o presidente da República ofereceu um sermão constrangedor ao ministro do Supremo, sugerindo que ele tenha necessidade de “resgatar sua biografia”, como reportado em diferentes veículos de imprensa.

    Só quem se perdeu em suas funções na coisa pública é que “precisa resgatar a biografia”. Ao dizer isso a Toffoli, num almoço sigiloso, Lula esquivou-se de mostrar ao distinto público o que sabe sobre a atuação do ministro no Supremo.

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    A condução de uma investigação sobre um escândalo bilionário, a partir de um inquérito formal no STF, jamais deveria ser assunto no gabinete político do presidente da República. Ainda que tudo esteja fora do lugar no caso Master, chamou atenção dos aliados de Lula no Congresso essa movimentação do petista.

    A teoria de dois senadores ouvidos pelo Radar é de que Lula atua para se antecipar a críticas e revelações que venham a surgir contra uma ala do PT que se moveu por Vorcaro no governo. Nos últimos dias, investigadores da Polícia Federal fizeram circular em Brasília o alerta de que o caso do Master ainda oferecerá ao país desdobramentos graves da fraude estimada em 50 bilhões de reais.

    Em um mundo perfeito para o petista, o escândalo do Master desaguaria apenas sobre políticos da oposição bolsonarista, como o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e de caciques do centrão próximos a Vorcaro, e não sobre o petismo e o governo de turno. É cedo para cravar o que acontecerá.

     

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