PF mira hackers e fará ofensiva com bancos e gigantes do e-commerce
Dias depois dos ataques que derrubaram os sites da Americanas.com e do Submarino será anunciada parceria com iniciativa privada contra crimes cibernéticos

Nos últimos anos foram pelo menos dois grandes ataques de hackers a valiosos bancos de dados do governo federal. Em 2020, o mais ousado deles, sequestrou o gigantesco acervo de processos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), incluindo investigações sigilosas e quebras de sigilo contra grandes líderes de facções criminosas. Seus autores nunca foram punidos. No final do ano passado, registros de vacinação e informações sanitárias controladas pelo Ministério da Saúde foram confiscadas por piratas cibernéticos depois que eles conseguiram invadir, pela nuvem, as barreiras de segurança digital de três empresas que armazenavam o material. Outros 23 órgãos do governo foram alvo dos mesmos criminosos.
Desde então, sem alarde, a Polícia Federal começou a negociar com empresas privadas e bancos públicos e privados a formação de uma parceria para entender o modus operandi dos hackers, tentar se antecipar a novos ataques e quebrar a resistência de servidores, normalmente hospedados no exterior, em compartilhar informações que possam ajudar nas investigações. Nesta quinta-feira 24, a PF anunciará a consolidação das primeiras parcerias, que devem incluir instituições financeiras e gigantes do e-commerce, que formarão uma força-tarefa de troca de informações confidenciais sobre crimes cibernéticos, vulnerabilidades em sistemas de informática e negociações de pedidos de resgate de dados.
O anúncio ocorre dias depois de o grupo de hackers LAPSUS$ ter reivindicado o ataque que derrubou, no sábado 19, os sites da Americanas.com e do Submarino. Um novo ataque, também no sábado, anunciou a invasão do sistema de pagamentos da Americanas: “round2 Americanas. This time we hacking the the PCI (payment) environment also LOL”. Na manhã desta segunda-feira, 21, as ações da empresa caíam 4%, registrando a maior queda da bolsa de valores.
A apresentação do projeto da Polícia Federal para o enfrentamento às ameaças cibernéticas terá a participação de empresas como Banco do Brasil, Caixa Econômica, Santander, XP, Mercado Livre e Zetta, além da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) e de associações financeiras, de crédito e de varejo.