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Petra Costa: ‘Há um plano de dominação religiosa do Estado brasileiro’

A premiada documentarista conta como conseguiu fazer um retrato sem filtro de Silas Malafaia em 'Apocalipse nos Trópicos', sucesso da Netflix

Por Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 set 2025, 08h00 •
  • O que as conversas com a família Bolsonaro que comprometeram Malafaia revelam sobre o pastor? As mensagens mostram de maneira ainda mais clara o papel de mentor que o pastor exerce sobre o ex-presidente, já evidenciado no meu documentário. É curioso porque recebemos muitas críticas do público afirmando que havíamos superestimado a influência política dele sobre o clã Bolsonaro.

    Ele saiu esbravejando da sessão de estreia do filme. Por que acredita ter tido essa reação, se havia autorizado as filmagens? Eu já esperava por isso. Malafaia tem personalidade exaltada e opiniões fortes sobre qualquer tema. Estranho seria não se irritar. Sempre fui transparente quanto à proposta do filme e ele sabia muito bem qual era minha visão de mundo. Fica claro que ele queria usar o espaço para mandar sua mensagem para os setores progressistas da sociedade, que não o apoiam.

    Por que optou por fazer dele o protagonista da narrativa? Nós o escolhemos por ser o mais próximo de Bolsonaro. Ele nos deu acesso, algo que outros pastores relevantes desse universo se recusaram a fazer. Há várias lideranças importantes, como Edir Macedo, da Universal do Reino de Deus, que comanda muito mais fiéis e mantém uma influência política fortíssima, por meio do partido Republicanos. Malafaia, porém, é o único que personifica publicamente o plano evangélico de assumir o controle dos Três Poderes.

    O que isso significa para a democracia? Há um plano de dominação religiosa do Estado brasileiro. Atualmente, 20% da Câmara é evangélica. Esse grupo não esconde que pretende dominar o Supremo Tribunal Federal. Caminhamos para a mesma direção dos Estados Unidos, onde uma maioria conservadora e religiosa chegou ao poder com Donald Trump e passou a impor diversas medidas teocráticas, em universidades e escolas.

    Nas democracias, a liberdade religiosa também é um valor fundamental. É possível haver um equilíbrio entre as duas posturas? A mistura entre religião é política é sempre prejudicial. Não foi por acaso que, após séculos de guerras religiosas na Europa, teóricos como John Locke defenderam a separação entre Igreja e Estado. Quando as duas pontas se unem, o exercício da fé logo é corrompido e passa a ser usado para justificar interesses políticos.

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    Em suas filmagens, a senhora identificou alguma relação entre a expansão das igrejas evangélicas e a ausência do Estado? Ao visitar igrejas de todos os portes, percebi que a capilaridade e a falta de uma hierarquia rígida presentes nessas denominações permitem a completa integração nas comunidades. As lideranças compreendem os problemas das pessoas e oferecem apoio econômico e até emocional. A igre­ja cultiva ambição, autoestima e um forte senso de identidade.

    Publicado em VEJA de 5 de setembro de 2025, edição nº 2960

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