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Pesquisa revela estrago do caso Master e joga ainda mais pressão sobre Edson Fachin no STF

Corte está dividida em relação ao comportamento do presidente do tribunal nessa crise envolvendo os laços do banqueiro Daniel Vorcaro no Supremo

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 08h27 • Atualizado em 12 mar 2026, 10h15
  • A nova rodada da pesquisa Genial Quaest sobre a popularidade do STF traduz em números um problema que já divide a Corte e eleva a pressão sobre o ministro Edson Fachin.

    Presidente do Supremo, cabe a Fachin liderar o tribunal nos momentos de turbulência. A crise aberta pelo escândalo do Banco Master, e suas conexões com o tribunal, fragmentou o STF de tal modo, que os ministros ouvidos por Fachin nos últimos dias parecem perdidos na análise de potenciais saídas para o resgate da imagem institucional da Corte.

    Enquanto uma ala do tribunal segue favorável a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, outros integrantes do Supremo avaliam que seria melhor que os colegas tirassem um período de licença. A conversa ainda ocorre no conforto do anonimato das avaliações de gabinete, mas existe.

    Nesse grupo de magistrados que entende que o caso já abala de maneira significativa a imagem da instituição, há ministros que ironizam Fachin como o oncologista que, diante de um quadro de complicações clínicas que só se agravam, decide tratar o paciente com paracetamol.

    A crítica é direcionada ao que Fachin tem feito, até aqui, para lidar com as revelações do caso Master. A proposta do presidente do STF é a aprovação de um código de ética para o tribunal. “Código de Ética seria efetivo para dilemas éticos, não para casos criminais”, diz um ministro ao Radar.

    No país, todos os magistrados estão sujeitos ao controle rigoroso do CNJ. Todos! Menos os ministros do STF. Cabe ao próprio tribunal regular condutas e agir em casos de necessidade contra seus integrantes. Daí a pressão para que Fachin saia dos bastidores e passe a liderar uma resposta pública de reação ao caso Master que faça com que a sociedade volte a credibilizar o Supremo.

    Em tempo, a pesquisa Quaest divulgada nesta quinta mostra que 49% dos brasileiros dizem não confiar no Supremo, enquanto 43% manifestam confiança. Outros 8% não sabem ou não responderam.

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    Comparado ao levantamento de agosto de 2025, a credibilidade da Corte despencou 7% na pesquisa.

    Os que não confiam no STF eram 47% no levantamento do ano passado e agora são 49%. Os que não sabem responder subiram de 3% para 8%, mostrando como as revelações do caso Master lançaram os brasileiros num mar de dúvida sobre o que sentir em relação ao tribunal.

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    São 51% os entrevistados que afirmam que o STF foi importante para manter a democracia, diante da ameaça golpista manifesta no governo de Jair Bolsonaro.

    Entre os lulistas, 71% dizem que confiam no STF, e 21% que não. Outros 8% não sabem ou não responderam. Entre os eleitores que se consideram esquerda, mas não lulista, 77% dizem que confiam, e 18% que não confiam.

    No segmento dos independentes, 51% dizem não confiar no Supremo, e 36% dizem que confiam.

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    Na direita não bolsonarista, 77% afirmam que não confiam, e 20% afirmam que confiam. Entre os bolsonaristas, 84% não confiam, e 13% confiam.

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    A pesquisa também mediu o potencial de o escândalo do Master influenciar as eleições de outubro. Os achados do levantamento rendem vários alertas nesse ponto.

    – 72% dizem que o STF tem poder demais;

    – 66% dizem que é importante votar em um candidato do Senado comprometido com o impeachment de ministros do STF;

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    – 59% identificam o Supremo como aliado do governo Lula.

    O levantamento também mostra que 38% dos eleitores não votariam em candidato envolvido no escândalo do Master. Outros 29% afirmam que levariam o tema em consideração junto com outra questões. Para 20%, o tema influi no voto.

    O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março.

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