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Perícia conclui que será impossível identificar arma que matou Ágatha

Laudo da Polícia Civil conclui que projétil "é adequado a arma de fogo tipo fuzil", mas exame de balística não poderá apontar arma de onde partiu o disparo

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 set 2019, 19h45 | Atualizado em 3 jul 2026, 15h28
Perícia conclui que será impossível identificar arma que matou Ágatha Priorizar nos meus resultados Google

A perícia do fragmento de bala que atingiu e provocou a morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, concluiu que o projétil “é adequado a arma de fogo tipo fuzil”. No entanto, o exame de balística não conseguirá identificar de que arma partiu o disparo. O laudo foi apresentado nesta quarta-feira, 25, na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que investiga o caso.

Os investigadores também receberam o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que apontou que Ágatha tinha uma perfuração nas costas e que teve como causa da morte “lacerações no fígado, rim direito e vasos do abdômen”.

Desde a morte de Ágatha, a Polícia Civil já ouviu 20 testemunhas incluindo os pais e dois tios da menina, 11 policiais militares – e não 12, como chegou a ser divulgado -, o motorista e o dono na Kombi que transportava a menina, além de outras três pessoas.

Na manhã de terça-feira 24, o motorista da Kombi voltou a afirmar que o tiro partiu de um policial militar – e que não havia tiroteio no momento do crime. “Uma criancinha foi embora por causa da irresponsabilidade do polícia”, afirmou. Foi o segundo depoimento do condutor. No primeiro, na segunda-feira, ele afirmou que outras duas crianças estavam no veículo e que, momentos antes, elas desembarcaram acompanhadas de um casal.

De acordo com o depoimento à Polícia Civil, o condutor da Kombi desceu para ajudar a família quando viu dois homens sem camisa passando numa moto. Nesse momento, ele teria visto um dos policiais presentes atirando, mas, como não havia conflito, pensou que os tiros fossem para o alto. Ele chegou a acalmar pessoas que estavam perto do cruzamento onde a Kombi havia estacionado.

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Ele disse ainda que não viu armas nas mãos dos dois rapazes na motocicleta e que, se eles fossem atingidos, seria uma execução, porque não havia confronto no momento dos disparos. A versão oficial da Polícia Militar (PM) é a de que Ágatha teria sido ferida numa troca de tiros entre policiais e criminosos. O motorista teria ouvido a mãe de Ágatha gritar e correu para ajudar. Os policiais ficaram sem reação e não prestaram socorro.

Ao todo, sete armas foram apreendidas com os policiais e foram ou serão encaminhadas à perícia. Nos depoimentos, eles alegam que somente três delas efetuaram disparos. A reconstituição do crime deve acontecer na próxima terça-feira, dia 1º de outubro.

Escola reabre

Na escola onde ela estudava, que reabriu na terça-feira, 24, depois de declarar luto na segunda e suspender as atividades, o clima era de tristeza. A coordenadora da instituição disse que essa foi a primeira vez que um aluno foi morto por causa da violência na região. “A gente se acostuma a interromper aula por causa de tiroteio e a ter alunos que precisam faltar a aula por causa de operações policiais, mas quando acontece perto da gente é que temos consciência real da gravidade”, disse Luciana Soares.

(Com Estadão Conteúdo)

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