Partido Novo quer afastar Alcolumbre do cargo por não votar impeachment de Moraes
Presidente do Senado é alvo de ação no Conselho de Ética; no mesmo dia, Zema visita Brasília para apresentar novo pedido de impedimento do ministro
O Partido Novo moveu uma denúncia de quebra de decoro parlamentar contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por não colocar em votação os pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A ação foi enviada ao Conselho de Ética do Senado na última segunda-feira, 9.
Assinada pelo presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, a ação acusa Alcolumbre de descumprir suas prerrogativas como chefe do Senado e do Congresso Nacional ao utilizar “o poder de agenda e de gestão institucional de forma omissiva e seletiva”. Segundo a denúncia, o senador amapaense se recusa a colocar em votação “dezenas de pedidos” de impeachment contra Moraes, o que impediria o Poder Legislativo de fiscalizar os outros Poderes e configuraria “bloqueio institucional”.
Em razão da conduta apontada, o Novo exige a instauração de um processo no Conselho de Ética que pode levar ao afastamento de Davi Alcolumbre da presidência do Senado e, em última instância, à cassação do mandato do senador. “É um silêncio ensurdecedor injusto que acontece nesta Casa. Eu espero que, a partir dessa representação que nós faremos no Conselho de Ética, outros partidos também entrem nessa”, declarou ontem o senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Além das ações contra o ministro do STF, o Novo argumenta que Alcolumbre também ignora pedidos de instauração da CPMI do Banco Master, que busca investigar autoridades ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em São Paulo na quarta-feira passada e atualmente detido em Brasília. Além do requerimento enviado por Girão em novembro de 2025, outro grupo, liderado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), também se movimenta para exigir a abertura de uma comissão de inquérito.
Zema vai a Brasília apresentar pedido de impeachment contra Moraes
Também na segunda-feira, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), viajou a Brasília para apresentar um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. “Dois presidentes da República já foram derrubados, mas nunca um ministro do Supremo”, publicou o mineiro em suas redes sociais.
O novo pedido de impedimento de Moraes, segundo o documento, tem como base desdobramentos recentes do Caso Master que insinuam o envolvimento entre o magistrado e Daniel Vorcaro. Além de um contrato de 129 milhões de reais firmado entre o banco e a esposa de Moraes, Viviane Barci, mensagens encontradas pela Polícia Federal apontam que o magistrado se reuniu em diversas ocasiões com o banqueiro, e os dois teriam conversado sobre bloqueio de valores após a prisão de Vorcaro na semana passada.





