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Operação mira grupo investigado por fraudes bancárias com aparelhos roubados no Rio

Até o momento, uma pessoa foi presa e quatro foram conduzidas à delegacia; lotéricas

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 mar 2026, 11h10 •
  • Policiais civis da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) deflagraram nesta segunda-feira, 16, uma nova etapa da Operação Rastreio, contra um grupo criminoso suspeito de fraudes bancárias por meio de celulares furtados e roubados. São cumpridos mandados de busca e apreensão no Centro, nos bairros de Oswaldo Cruz, Penha, Cachambi, Maria da Graça, Engenho Novo, Ramos, Brás de Pina e Vila Valqueire, além dos municípios de São João de Meriti e Belford Roxo. Até o momento, uma pessoa foi presa e quatro foram conduzidas à delegacia.

    A investigação teve início em maio do ano passado. Na época, uma quadrilha voltada para o roubo e receptação de celulares foi desmantelada, culminando em 16 presos e mais de 200 aparelhos apreendidos e periciados. Durante as diligências, os agentes “identificaram que a subtração desses celulares alimentava um sofisticado esquema criminoso de fraude bancária”, com divisão de tarefas e modus operandi, informou a Polícia Civil.

    “Inicialmente, os criminosos adquiriam os aparelhos produtos de crime no Mercado Popular da Uruguaiana, no Centro do Rio”, acrescentou a nota. “Em seguida, eles violavam os dispositivos para acessarem aplicativos financeiros das vítimas. Então, realizavam transferências do dinheiro para contas-correntes abertas de forma fraudulenta. Essas contas eram criadas com o uso de documentos falsos ou em nome de pessoas em situação de vulnerabilidade social, aliciadas para atuar como ‘laranjas’ no esquema.”

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    Os criminosos atuavam com “auxílio direto de funcionários de casas lotéricas” para evitar o rastreio dos valores desviados, enviados para contas vinculadas às franquias e sacados em espécie logo em seguida. Segundo a corporação, os funcionários ignoravam procedimentos de segurança determinados pela Caixa Econômica Federal para facilitar os saques. “Dessa forma, o dinheiro era rapidamente convertido em papel-moeda, dificultando o rastreamento do fluxo financeiro”, explicou a Polícia Civil.

    A investigação continuará para avançar na identificação de toda a estrutura de comando da organização. A Operação Rastreio é considerada a maior iniciativa do estado do Rio de Janeiro para combater o roubo de celulares. Até o momento, mais de 13 mil dispositivos foram recuperados, dos quais 6 mil foram devolvidos para os donos. Ao menos 850 criminosos foram presos, de ladrões a receptores.

    Em dezembro de 2025, VEJA publicou uma reportagem sobre um esquema de adoção de antenas falsas com capacidade de emitir suas próprias radiofrequências, nas quais os celulares próximos passam a operar por breve espaço de tempo — o suficiente para os marginais dispararem mensagens ou até ligações a desavisados, que, não raro, acabam obedecendo a um passo a passo que dá acesso ao aparelho. Inquéritos aos quais VEJA teve acesso, no Rio de Janeiro e em São Paulo, mostram quão eficaz é o golpe, com uma média estimada de 5 000 reais per capita.

     

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