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Operação mira esquema interestadual de venda de armas fabricadas em impressoras 3D

Quatro alvos já foram presos, incluindo homem apontado como o chefe da quadrilha; mandados de busca e apreensão são cumpridos em 11 estados no país

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2026, 10h19 • Atualizado em 12 mar 2026, 11h08
  • A Polícia Civil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagraram nesta quinta-feira, 12, a Operação Shadowgun, contra um esquema interestadual de venda de armas fabricadas com impressoras 3D. São cumpridos quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 de busca e apreensão em 11 estados no país. Os quatro alvos já foram presos. Entre eles, está um homem apontado como o chefe da quadrilha.

    “A investigação revelou a atuação de um grupo estruturado dedicado à produção e disseminação de armas de fogo fabricadas por meio de impressão 3D, as chamadas ‘armas fantasmas’, que não possuem rastreabilidade e podem ser montadas com materiais de fácil acesso. As diligências tiveram início após um órgão internacional compartilhar com o Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB) um alerta sobre um usuário de uma rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos impressos em 3D”, disse a Polícia Civil em nota.

    O líder do esquema é um engenheiro especializado em controle e automação e foi o principal desenvolvedor técnico do armamento que, sob pseudônimo, divulgou um manual de mais de 100 páginas em que descrevia “detalhadamente todas as etapas necessárias para a fabricação da arma, permitindo que qualquer pessoa com conhecimentos intermediários em impressão 3D pudesse produzir o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo”, de acordo com a corporação.

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    Manifesto ideológico e publicidade

    O documento, amplamente disseminado, também era acompanhado por “um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas”, além do uso de criptomoedas para financiar a organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, foi criado “um verdadeiro ecossistema clandestino voltado à produção e circulação de armamentos não rastreáveis”. O chefe atuava em conjunto com três comparsas, todos com funções diferentes, de articulação filosófica à publicidade nos fóruns e na dark web.

    A quadrilha fabricava, principalmente, armas semiautomáticas e carregadores alongados de pistolas de diversos calibres. O material bélico era comercializado na internet. Entre 2021 e 2022, o grupo efetuou vendas para 79 compradores. “As investigações identificaram que, nos anos seguintes, ele passou a negociar com os compradores por meio de outros canais e plataformas. Os compradores estão espalhados por 11 estados brasileiros”, afirmou o comunicado, acrescentando que a maioria deles tinha antecedentes criminais por tráfico e delitos graves.

    Os mandados são executados na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. A investigação identificou 10 clientes espalhados pelo estado do Rio de Janeiro. A 32ª DP (Taquara) apura o destino das armas, com suspeita de que os armamentos foram adquiridos pelo tráfico de drogas e por milícias. A Polícia Civil informou que um dos compradores está preso por porte de “grande quantidade de armas e munições”.

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