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O que o público pode esperar do Memorial do Holocausto após reabertura no Rio

Espaço recebe de volta visitantes com mostra sobre mulheres que lutaram contra o nazismo

Por Ludmilla de Lima Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 mar 2026, 19h06 • Atualizado em 9 mar 2026, 19h12
  • O Memorial do Holocausto reabre ao público na próxima quinta-feira, 12, no Rio com uma homenagem a mulheres que lutaram contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. A mostra temporária “Faces da resistência, as mulheres no Holocausto” é um projeto mundial do Hashomer Hatzair – movimento judaico fundado em 1913 na Europa – que já rodou diferentes países, como Estados Unidos, México e Argentina, e permanecerá por um mês no espaço recuperado. Ela apresenta a trajetória de 20 personalidades com forte atuação durante o período mais sombrio do século XX. O memorial, que fica no Parque do Pasmado, em Botafogo, área com uma das vistas mais bonitas da cidade, foi inaugurado pela primeira vez em dezembro de 2022, financiado por empresas da comunidade judaica.

    “Faces de Resistência” recupera registros, cartas e entrevistas, jogando luz sobre mulheres do Hashomer Hatzair, enquanto ao longo do tempo homens que enfrentaram os nazistas tiveram maior destaque. Um dos nomes da exposição é o de Frieda Belinfante (1904-1995), violoncelista e maestrina holandesa, judia e lésbica, que foi membro da resistência. Ela se vestia de homem para enganar os nazistas enquanto falsificava carteiras de identidade e buscava esconderijos para perseguidos. Precisou ela própria se esconder por causa de execuções de pessoas LGBTQIA+ a mando de autoridades que ocupavam o país. Outra mulher que lutou bravamente para salvar vidas foi Haviva (Marta) Reik (1922-1944), da Eslováquia: no front, foi paraquedista, com a missão de saltar atrás das linhas inimigas. Foi capturada e executada enquanto fazia atividades de socorro e salvamento. Já Vitka Kempner-Kovner (1920-2012), polonesa, explodiu um trem alemão, no primeiro ato de sabotagem do movimento clandestino. Ainda na Polônia, Zivia Lubetkin (1914-1976) comandou um grupo de combatentes que conseguiram fugir pelos esgotos do Gueto de Varsóvia em chamas. Austríaca, Friedl Dicker-Brandeis (1898-1944) era uma renomada artista formada em Bauhaus que estimulava crianças judias no gueto de Theresienstadt a expressarem seus sentimentos e sonhos por meio da pintura. Acabou assassinada em Auschwitz.

     

    Exposição joga luz sobre mulheres que resistiram e lutaram contra o nazismo
    Exposição joga luz sobre mulheres que resistiram e lutaram contra o nazismo (Memorial do Holocausto/Divulgação)

    A lista de mulheres lembradas inclui ainda Rachel (Rokhl) Auerbakh (1899-1976), escritora israelense; Tova (Tosia) Altman (1918-1943), liderança do movimento juvenil na Polônia; Haika Grossman (1919-1996), guerrilheira política polonesa; Esther Hillesum (1914-1943), que cresceu na Holanda e, antes de ser morta em Auschwitz, deixou um diário com importante documentação; e Rozka Korchak (1921-1988), da Polônia, a primeira a testemunhar em Israel sobre o extermínio daqueles anos.

    O memorial estava fechado desde o final de 2024 e, no último domingo, no Dia Internacional da Mulher, foi palco de um evento simbólico. Sobrevivente do Holocausto, a escritora Rolande Fischberg, hoje com 86 anos, tem sua história contada no percurso permanente do espaço: “Como sobrevivente, faço muitas palestras em escolas e universidades. Mas é diferente quando você convida uma turma para conhecer in loco outras histórias e testemunhos. É muito importante esse lado educativo do memorial, que eu vejo como uma oportunidade para as escolas. Por lei estadual, há a obrigatoriedade do estudo do Holocausto no currículo”, diz ela, que nasceu na Bélgica e era recém-nascida quando viveu a sua primeira fuga do nazismo. A avó paterna e três tios de Rolande morreram nas câmaras de gás de Auschwitz.

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    Drama em três módulos

    Entrar no Memorial do Holocausto é como vivenciar o passado. Na chegada, um monumento, dividido em dez partes, representa os Dez Mandamentos. A base dele, dedicada ao “não matarás”, está cortada pela metade. O percurso é dividido em três módulos permanentes – a vida antes do Holocausto (sala colorida), o período do genocídio (preto e branco) e a resiliência/pós-guerra. O primeiro espaço foi desenvolvido para que o público entenda como era a vida antes do conflito, e não só de judeus (presentes em pelo menos 270 cidades europeias no período), como também de ciganos, deficientes físicos, comunistas e populações LGBTQIA+. O espaço é um símbolo contra qualquer discriminação.

    Onze milhões de pessoas, sendo seis milhões de judeus, perderam a vida no que é considerado o maior crime contra a humanidade da história moderna. Essa tragédia é retratada no segundo módulo. O caminho percorrido é uma aula das transformações sofridas por essas populações com a ascensão do nazismo na Alemanha. A iluminação muda: não há cores vibrantes, as fotos são em preto e branco, e não tem nenhum som. O silêncio só é quebrado quando o visitante toca numa tela e ouve histórias dos sobreviventes. Uma das peças mais valiosas do acervo permanente é um livreto de rezas judaico, que pertenceu a uma senhora que sobreviveu 495 dias dentro de um buraco, na região rural da Polônia, escondida dos nazistas.

    A última parte traz a vida após o Holocausto, com foco na resiliência humana, sem deixar de tratar do ódio e do preconceito que permanecem reais. Por isso, o trabalho do memorial é evitar que a história seja esquecida. Fechado desde o final de 2024, ele funcionará de quinta a domingo, das 10h às 17h, no Parque Yitzhak Rabin, que fica no Mirante do Pasmado. A visitação é gratuita.

     

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