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O prédio do TRT-SP: um suicídio a cada seis meses

Nos últimos dois anos, houve quatro casos de suicídio. O último aconteceu na semana passada

Na semana passada, o motoboy Carlos Ti On Martins Kon Tien, de 41 anos, pulou do 17º andar do prédio do Fórum Trabalhista do Tribunal Regional de São Paulo, com o filho, de 4, no colo. O suicídio foi o quarto caso desde outubro de 2014, uma triste média de um a cada seis meses.

Mas por que o local se tornou um palco desses acontecimentos trágicos? Segundo especialistas ouvidos por VEJA, são três os principais motivos.

. O primeiro é que não há nenhum controle de entrada e saída de pessoas, o que facilita que potenciais suicidas vão até lá para tentar se matar;

. Além disso, a intensa movimentação no edifício favorece o anonimato e tira a atenção das equipes de segurança (na semana anterior, elas tinham conseguido evitar uma outra tentativa, segundo frequentadores do prédio);

. Também conta o enorme vão livre, de 70 metros de altura, virado para dentro do edifício — portanto não é necessário abrir uma janela ou tentar chegar à cobertura para pular;

. E, por fim, há o que os especialistas chamam de efeito de imitação. Uma vez que ocorre um caso, o local passa a figurar na mente de quem pensa naquilo como uma possibilidade para tirar a própria vida.

O mais recente suicida, por exemplo, não tinha nenhuma ligação com o prédio. Segundo o delegado titular do 23º DP, de Perdizes, Lupércio Antônio Dimov, Carlos Martins não tinha nenhum processo no prédio e foi até lá com a única intenção de se matar. No caso mais recente antes deste, sete meses atrás, o suicida tinha uma causa que tramitava no fórum. Mário Sérgio Carvalho de Souza, de 41 anos, jogou-se do 16º andar.

Em um comunicado, a assessoria do TRT informou que o edifício atende todas as normas de segurança. No entanto medidas foram tomadas para evitar novos incidentes. Em março, a administração do prédio chegou a bloquear, com faixas de plástico, as rampas que cruzam o vão — foi de lá que pularam os últimos suicidas. A ideia era construir um parapeito para evitar novas quedas, mas a obra foi paralisada por falta de verba. Embora tenha sido retomada, ainda não foi concluída.

Um outro projeto de reforma do prédio, ao custo de 6 milhões de reais, ainda não saiu do papel.

Comentários

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  1. Sergio Muramoto

    A matéria é assustadora para os olhos dos leitores brasileiros , mas para a realidade daqui do outro lado do mundo, Japão , é quase que cotidiano. Quando deparei com o que acontece aqui fiquei perplexo e a própria imprensa local quase nem divulga assim como por exemplo os mortes por acidente de trânsito aí no Brasil. Minha esposa sai 3 vezes por semana para trabalhar em Tóquio e quase toda semana tem atrasos dos trens devido à suicidios que ocorrem nas redes ferroviárias daqui. Os japoneses escolhem essa forma de suicidios pois a falha no ato é quase nula ao contrário de por exemplo pular na frente de um carro. Aqui eles divulgam o acidente como “acidente com lesões corporais ” mas para justificar os atrasos ocorridos.

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  2. Micky Oliver

    Esse é aquele tal prédio superfaturado???? Agora, quer se matar? Vai fundo, mas, vá sozinho!

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  3. Por ser em um prédio relacionado a trabalho, o desemprego pode explicar muita coisa. Dilma gerou 15 milhões de desempregados, e pode demorar 20 anos para o Brasil voltar ao normal.

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  4. Deyson Thome

    Outro local com muito suicídio é a ponte Golden Gate em São Francisco, CA – EUA. De fato o Japão não detém a liderança em suicídios, mas essa cidade dos EUA é a campeã …

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  5. Felipe Atoline

    É a obra do Lalau assombrando muita gente.

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