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“O pior já passou, mas os extremos estão cada vez mais intensos”, diz meteorologista sobre tornado no Paraná

Especialista explica por que foi um dos mais fortes já registrados no país e alerta para fenômenos extremos mais frequentes

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 nov 2025, 13h03 • Atualizado em 9 nov 2025, 14h13
  • O tornado que destruiu parte de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, nesta sexta-feira 7, foi um dos mais potentes já registrados no Brasil. Com ventos que ultrapassaram os 200 km/h, o fenômeno deixou mortos, feridos e rastros de destruição em uma área urbana — algo raro no país — e acendeu o alerta para o aumento da frequência e da força dos eventos climáticos extremos.

    Willians Bini, meteorologista da METOS Brasil, explicou à VEJA que o sistema responsável pelo tornado já se dissipou e não há mais risco imediato de novos eventos. No entanto, ele reforça que o Brasil vive um período de instabilidade crescente, impulsionado pelas mudanças e emergências climáticas globais.

    O pior já passou

    “Não há mais risco por conta desse sistema que provocou chuvas fortes, ventos intensos e o tornado. Ele já se afastou completamente, e até a região Sul deve ter tempo mais firme nos próximos dias”, afirma Bini. “Estamos na primavera, uma estação muito dinâmica, então não dá para descartar novos fenômenos daqui a uma semana, mas, por enquanto, nenhum alerta preocupa.”

    Um dos mais fortes já registrados

    O especialista confirma que o tornado do Paraná foi um dos mais intensos da história recente do país. “Foi classificado como categoria três, lembrando que a escala vai até cinco. O que o tornou tão devastador foi o fato de ter passado exatamente sobre uma cidade inteira. Normalmente, esses fenômenos atingem áreas rurais e acabam pouco registrados. Infelizmente, desta vez o percurso foi urbano.”

    Mais comuns do que se imagina

    Segundo Bini, tornados não são tão raros no Brasil quanto a maioria das pessoas pensa. “Eles sempre aconteceram, mas eram pouco registrados porque ocorrem em locais isolados. Hoje, com câmeras e celulares, os registros se tornaram mais frequentes. E o que temos visto é que, de forma geral, os fenômenos extremos — tornados, ondas de calor, temporais, granizo — estão ficando mais fortes e comuns. O ciclone no oceano ajudou a intensificar esse tornado específico, mas não é sempre que um depende do outro.”

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    Monitoramento ainda limitado

    Diferente dos Estados Unidos, o Brasil ainda não tem sistemas eficientes de alerta para tornados. “Aqui dificilmente você verá um aviso específico de tornado. Esse tipo de fenômeno precisa de monitoramento em curtíssimo prazo. Não dá para prever hoje que amanhã haverá tornado em determinada cidade. A modelagem numérica não permite isso”, explica. “Mesmo em países mais preparados, como os EUA, tragédias acontecem. O desafio é conseguir avisar rapidamente as pessoas que estão na rota do fenômeno.”

    Emergência climática e futuro

    Para o meteorologista, o tornado do Paraná é mais um exemplo da nova realidade imposta pelas mudanças climáticas. “Estamos vivendo um período de emergências climáticas. Todos os fenômenos extremos — chuvas, ventos, ondas de calor e frio, queimadas — estão se tornando mais intensos e frequentes. O planeta está reagindo. Precisamos pensar em formas de mitigar esses impactos”, alerta Bini.

    Ele lembra que o tema será destaque na COP30, conferência do clima que acontece em Belém. “É uma coincidência triste: enquanto o mundo discute metas para frear o aquecimento global, os extremos climáticos estão acontecendo aqui e agora, justamente no país que sedia o evento.”

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