O bombardeio de André Mendonça contra Alexandre de Moraes na guerra do STF
Ministro apresentou manifestação nesta terça ao presidente do Supremo, Edson Fachin, respondendo a atos 'ilegais' do colega
O ministro André Mendonça apresentou, nesta terça, um ofício de 76 páginas em que lista uma série de condutas ilegais de Alexandre de Moraes no STF.
No cenário de guerra em que o Supremo está mergulhado há mais de vinte dias, trata-se de um verdadeiro bombardeio ao ministro que tentou usar a Polícia Federal e o Inquérito das Fake News como armas contra o relator das investigações do Banco Master.
No início do mês, Mendonça enviou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório da Polícia Federal com mais de 200 páginas que revelaram uma possível atuação clandestina de Moraes como informante e conselheiro de Daniel Vorcaro.
Mensagens de celular encontradas pela PF mostram que o banqueiro, preso por fraudes bilionárias, contava com a assistência do ministro do Supremo para tentar influenciar o chefe da PGR, Paulo Gonet, e o diretor da PF, Andrei Rodrigues, a obstruírem investigações.
O auxílio luxuoso do ministro do Supremo teria como contrapartida contratos milionários fechados pelo banqueiro com o escritório da família de Moraes. O próprio ministro do Supremo editou um dos arranjos financeiros, como descobriu a PF.
Mendonça tornou o relatório público no dia 1º de setembro, levando Moraes ao olho do furacão da maior crise da história do STF.
Dias depois, sem explicar as mensagens achadas pela PF, Moraes decidiu incluir Mendonça no Inquérito das Fake News, valendo-se de relatórios clandestinos da Polícia Federal que só ele sabia existirem, e pedir a Fachin a investigação do colega por supostamente adotar atos ilegais na relatoria do caso Master.
Como chefe do STF, Fachin decretou um cessar-fogo ao invalidar a decisão de Moraes, tirar dele a relatoria do caso das Fake News, e dar prazo para que ambos os colegas se manifestassem sobre a troca de acusações.
Na semana passada, Moraes apresentou sua defesa antes da fatídica sessão do STF que fracassou em analisar as provas da PF e expôs ao país um tribunal dividido e marcado por acusações variadas entre seus integrantes. Sobre as mensagens, disse que tudo não passava de “diálogos fantasiosos” de uma investigação “inconstitucional e ilegal” contra ele.
Nesta terça, Mendonça rebateu com artilharia pesada. Acusou Moraes de usar a Polícia Federal para denunciação caluniosa, obstrução de justiça e intimidação. Chamou os relatórios de inteligência da PF obtidos por Moraes de comprovarem a atuação ilícita da PF contra o tribunal.
A Fachin, Mendonça pediu que Moraes seja investigado por abuso de autoridade e por denunciação caluniosa.
O ministro também pediu que a PF seja investigada e que os responsáveis pelos relatórios ilegais sejam identificados.
Mendonça solicitou ainda acesso ao Inquérito das Fake News para investigar atos ilegais de Moraes no procedimento sigiloso que já dura mais de sete anos na Corte.
Mendonça também pediu que a investigação proposta por Moraes contra ele seja arquivada: “conclui-se pela absoluta ausência de qualquer elemento apto a embasar as alegações formuladas, de modo leviano e irresponsável, pelo Ministro Alexandre de Moraes, em face deste ministro”.







