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Mulher espera por filha e três netos: a longa busca por desaparecidos em Juiz de Fora

Resgate no Parque Burnier, um dos mais afetados pelas chuvas na cidade, tenta encontrar cerca de quinze pessoas, muitas delas crianças

Por Juliana Zoet, especial para VEJA em Juiz de Fora (MG)
24 fev 2026, 17h45 • Atualizado em 24 fev 2026, 18h36
  • Um dos locais mais afetados pelos deslizamentos provocados pelas chuvas em **Juiz de Fora**, na Zona da Mata mineira, o **Parque Burnier** é palco de uma agonizante busca por familiares, amigos e conhecidos. A estimativa é que cerca de quinze pessoas possam ainda estar soterradas na região. Equipes do governo do estado enviadas à cidade chegaram à localidade para reforçar o cansativo trabalho de busca.

    “Um estrago nunca antes visto”: é essa a frase que mais se ouve em qualquer ponto da cidade depois que o Rio Paraibuna saiu da calha — o nível da água permanece no limite das pontes dezesseis horas após o temporal –, mas nos bairros mais atingidos, como o Parque Burnier, o que mais se vê são os rostos cansados pela noite em claro em busca de sobreviventes.

    Ali uma grande família foi soterrada. Maria Helena Batista aguarda por notícias da filha e três netos. Muitas outras pessoas podem estar encobertas pela lama, boa parte delas crianças. “A minha filha está lá debaixo dos escombros, o meu neto está debaixo dos escombros, outro netinho pequeno está debaixo dos escombros, a minha neta está debaixo dos escombros. E tem mais três pessoas lá debaixo, porque até agora só conseguiu retirar uma criança, não conseguiu retirar o resto”, conta — ouça o relato abaixo.

    Doze casas foram levadas abaixo com o deslizamento de terra. Até o início da tarde, dez pessoas haviam sido socorridas, segundo levantamento dos Bombeiros. Cinco corpos foram retirados dos escombros. Quando a reportagem de VEJA estava no local, mais dois corpos foram encontrados (veja o momento abaixo).

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    O resgate dos sobreviventes contou com o apoio de voluntários, como Daniela Ramos, que veio do bairro vizinho ajudar e socorreu uma mulher com ferimento na perna. Horas depois, ainda no local do desastre, a socorrista recebeu a ligação de que a mulher havia tido alta hospitalar.

    Veja abaixo vídeos com imagens da movimentação na região após a tragédia:

     

     

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    Integrantes da Defesa Civil e do Governo de Minas Gerais chegaram no início da tarde. Entre eles estava o vice- governador, Matheus Simões (PSD), que ressaltou a importância de se rever a construção em áreas de risco. Benedina Fonseca foi uma das moradoras que tiveram a casa interditada pela Defesa Civil. Ela passou a noite em claro acompanhando o resgate dos vizinhos. E reforçou que, nos quarenta anos em que mora no bairro, nunca vivenciou tamanha tragédia.

    Em meio à tristeza, as doações aos atingidos chegavam de diferentes formas. Os amigos Cleuber Silveira Mendes e Breno Galdino Silva saíram de moto, debaixo de chuva, para recolher mantimentos, roupas e produtos de higiene. Ajuda bem-vinda à dona Maria Helena, que vai precisar passar uma das noites mais tristes de sua vida no salão da igreja evangélica local enquanto aguarda por notícias da família desaparecida.

    Tragédia

    Segundo balanço das autoridades, há ao menos 24 mortos na Zona da Mata mineira — dezoito em Juiz de Fora e seis em Ubá. Em Juiz de Fora, há 47 desaparecidos, 200 desabrigados e 400 desalojados. A Defesa Civil da cidade diz que atendeu a 265 ocorrências de deslizamento — veja matéria aqui.

     

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