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MPF investiga falhas em programa que é vitrine eleitoral de Lula

Apuração mira o funcionamento do Programa Minha Casa, Minha Vida, que não estaria protegendo mulheres vítimas de violência doméstica

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 out 2025, 15h01
MPF investiga falhas em programa que é vitrine eleitoral de Lula Priorizar nos meus resultados Google

O MPF abriu recentemente um inquérito para investigar falhas e omissões do Programa Minha Casa, Minha Vida que prejudicam mulheres vítimas de violência doméstica.

Segundo os investigadores, a investigação analisa procedimentos do Ministério das Cidades, do Ministério das Mulheres e da Caixa Econômica Federal para identificar “eventuais falhas ou omissões nas normativas do programa referentes às formas de distrato e novas contratações de financiamento habitacional por mulheres que sofreram violência doméstica”.

Dados da Caixa mostram que 25 distratos foram motivados por denúncias de agressões às mulheres, a partir de 2023, quando passou a ser registrado em sistema a marcação específica. A Caixa informou ainda que “não exige a presença do cônjuge/coobrigado para a assinatura do distrato.

Em manifestação ao MPF, o Ministério das Mulheres apresentou um cenário do problema. Segundo a pasta, ao rescindir o contrato do programa para fugir do agressor, a mulher em situação de violência doméstica perde a moradia e, como demonstram os dados da Caixa, torna-se invisível nas estatísticas oficiais.

“A mulher vítima de violência, frequentemente única responsável pela família, fica impossibilitada de acessar novamente o programa. Este ciclo revitimizador aprofunda a pobreza e a expõe a outros riscos, incluindo a recorrência da violência de gênero, como atestam os alarmantes números de descumprimento de medidas protetivas e de crimes sexuais dentro do próprio lar”, diz o ministério.

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A pasta das Mulheres recomendou ao MPF algumas ações. Segundo a pasta, deve ser garantido a mulher o direito de permanecer na unidade habitacional, com a exclusão unilateral do agressor do contrato, conforme previsto na Portaria MCID nº 488/2017. Em casos onde o distrato for inevitável, a mulher vítima de violência deve ter garantido o direito de candidatar-se novamente ao Programa Minha Casa, Minha Vida.

Ao abrir o inquérito, o MPF ainda cita outros apontamentos feitos pela pasta: “Recomendações à Caixa Econômica Federal, ao Ministério das Cidades e ao Conselho Nacional do Ministério Público, a fim de superar a invisibilidade estatística que hoje impede a formulação de políticas públicas eficazes e direcionadas e transformar o programa em uma ferramenta efetiva de escape e autonomia, e não de revitimização, assegurando um lar seguro para a mulher e seus dependentes”.

Segundo o MPF, a Secretaria Nacional de Habitação, do Ministério das Cidades, não respondeu a um ofício do órgão sobre a apuração, o que motivou a abertura do inquérito.

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