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Moro defende delações: ‘Melhor alguém condenado do que ninguém’

Em conferência em Portugal, magistrado comparou corrupção ao crime organizado e disse que investigações são 'anseio da sociedade brasileira'

Por Da redação - Atualizado em 31 maio 2017, 14h41 - Publicado em 30 maio 2017, 20h14

Responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba, o juiz federal Sergio Moro participou nesta terça-feira de uma conferência em Estoril, Portugal. Ao lado do ex-procurador italiano Antonio di Pietro, um dos investigadores da Operação Mãos Limpas, deflagrada na Itália nos anos 1990, e do juiz português Carlos Alexandre, responsável pela Operação Marquês, Moro falou sobre o combate à corrupção e o uso da delação premiada como ferramenta de investigação.

Para o magistrado, a corrupção como prática disseminada na relação entre políticos e empresários abala a confiança na democracia. “A democracia é fundada em uma relação de confiança entre governantes e governados. Mas em um contexto de corrupção sistêmica, essa relação de confiança é extremamente abalada. Se as pessoas entendem que a prática de crimes, que a trapaça, passam a ser uma regra de comportamento, isso afeta significativamente a confiança que as pessoas mantêm no sistema democrático. Esse é o principal aspecto negativo da corrupção sistêmica”, disse Moro.

O juiz federal afirmou que o que chama de “corrupção sistêmica” é tão grave quanto o crime organizado e defendeu, em seu combate, o uso de ferramentas semelhantes às usadas contra grandes grupos criminosos, a exemplo das delações premiadas.

“Se você tem um esquema de corrupção, é melhor ter isso descoberto e algumas pessoas punidas nesse esquema do que tê-lo oculto para sempre. Uma forma [de investigar] é usar um criminoso contra seus pares. É melhor ter alguém condenado do que ninguém condenado. Nesses processos do Brasil, foi extremamente importante para a expansão das investigações”, declarou Sergio Moro, que citou um “efeito dominó” a partir da quebra de confiança dentro das organizações criminosas.

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O magistrado ainda disse que o Brasil está “dando passos sérios e firmes no enfrentamento da corrupção sistêmica” e classificou a apuração dos esquemas de corrupção na Petrobras, outras estatais e fundos de pensão como “anseio da sociedade brasileira”.

“Embora se tenha visão negativa dos casos de corrupção que estão sendo descobertos no Brasil, eu peço a todos que vejam esses casos em uma outra perspectiva. É um anseio da sociedade brasileira para que tenhamos um país mais limpo. Acredito que apesar de todas essas turbulências teremos um país melhor, uma economia mais forte e com uma democracia de melhor qualidade”, concluiu.

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