Moïse Kabagambe: um basta à barbárie
As cenas do congolês sendo covardemente abatido em plena orla carioca reverberaram mundo afora, provocando uma onda de repulsa à violência
As cenas do congolês Moïse Kabagambe sendo covardemente abatido em plena orla carioca, uma sessão de tortura que lhe custou a vida, aos 24 anos, reverberaram mundo afora, provocando uma onda de repulsa à tamanha violência. No sábado 5, protestos que começaram em frente ao quiosque onde ele trabalhava e virou alvo da irrefreável fúria de três homens se irradiaram pelas ruas de todo o país e até da Europa. A indignada multidão, que agitava bandeiras contra o racismo e a xenofobia, clamava por justiça. O trio criminoso que golpeou o jovem até a morte naquele 24 de janeiro cumpre prisão temporária e deve responder por homicídio doloso duplamente qualificado, sem dar nenhuma chance de reação à vítima, cujo corpo foi encontrado amarrado a uma escada. A família Kabagambe escapou da guerra e da fome no Congo e refugiou-se em 2014 no Brasil, que via como um oásis de tolerância onde poderia tocar uma vida boa. Como tantos na mesma condição, Moïse deixou a escola para ir atrás da sobrevivência, e assim chegou ao quiosque na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, que por uma decisão da prefeitura será administrado a partir de agora por seus parentes. O caso, do qual ainda se desconhecem os detalhes, segue sob investigação na Delegacia de Homicídios, mas vários depoimentos coincidem em um ponto: no brutal dia em que morreu, o congolês teria ido lá para cobrar dois dias de pagamento atrasado, desencadeando a selvageria. Que o grito civilizatório da sociedade seja ouvido.
Publicado em VEJA de 16 de fevereiro de 2022, edição nº 2776





