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Mendonça responde a Gilmar Mendes, após ser alvo de críticas do decano do STF

Ministro do STF afirmou que colega não poderia comentar publicamente processos em andamento ou decisões

Por Daniel Gullino Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 set 2026, 09h44 | Atualizado em 17 set 2026, 13h08
Mendonça responde a Gilmar Mendes, após ser alvo de críticas do decano do STF Priorize VEJA no Google

O ministro André Mendonça divulgou nota nesta quinta-feira rebatendo críticas que recebeu do colega Gilmar Mendes, mais cedo, em publicação no X.

Mendonça iniciou o texto afirmando que a Lei Orgânica da Magistratura impede magistrados de comentarem publicamente sobre processos em andamento ou sobre decisões.

O ministro também comentou, contudo, o ponto central da crítica de Gilmar: a retirada do sigilo de um relatório da PF que detalhou a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com diversas autoridades, incluindo o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

“O que o relator fez foi levantar o sigilo de procedimento específico, em decisão fundamentada e nos estritos limites do que lhe competia decidir”, declarou.

Após Gilmar comparar a atuação do colega com a da Operação Lava Jato, Mendonça afirmou que não houve “complacência com vazamentos” e que “determinou-se a apuração de toda divulgação indevida ocorrida no curso da investigação”.

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O ministro também questionou a divulgação de mensagens do celular de Vorcaro, ocorrida após o material ser compartilhado com os gabinetes de Gilmar e de outros dois ministros, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

“Chama a atenção, ainda, que a preocupação com a exposição alheia se manifeste de forma seletiva, logo após a requisição de acesso ao aparelho celular de investigado e a divulgação, na imprensa, de conversas de toda ordem que constrangem, coincidentemente, apenas ministros de entendimento diverso”, disse.

Mendonça ainda criticou a postura de Gilmar na sessão de terça, afirmando que não foi ele que “transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável”.

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O ministro aproveitou para defender a criação de um Código de Ética para o STF, proposta do presidente da Corte, Edson Fachin.

“Episódios como esse apenas demonstram a urgência na aprovação de um código de ética no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Um código que discipline de modo próprio a postura esperada do magistrado ao se pronunciar em qualquer ambiente, dentro e fora da Corte, inclusive no trato com os pares”, destacou.

O raio-x dos ministros do STF

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Decano falou em ‘boneco eleitoral’

Em sua postagem, Gilmar havia questionado a exposição de Gonet.

“Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, escreveu o decano no X.

Para o ministro, “a intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular”.

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“Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, declarou.

O decano ainda comparou a atuação de Mendonça à do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol na Operação Lava Jato.

“Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência”, disse.

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