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Justiça condena seis pessoas por aplicar golpes na Caixa Econômica em MG

Quadrilha falsificava emails e documentos oficiais para enganar gerentes e receber transferências em contas-laranja

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 mar 2026, 09h49 •
  • Seis pessoas foram condenadas à prisão por integrar uma quadrilha que aplicava golpes financeiros na Caixa Econômica Federal. As sentenças, que variam de seis a oito anos de detenção, foram expedidas na última segunda-feira, 16, pela Justiça Federal em Minas Gerais.

    O esquema fraudulento foi desmantelado pela Polícia Federal em agosto de 2023. De acordo com as investigações, o grupo utilizava serviços gratuitos de email para criar endereços falsos, supostamente associados a entidades de classe, e enviava mensagens a agências da Caixa solicitando transferências bancárias urgentes. Para dar verniz de credibilidade aos pedidos, os criminosos falsificavam logomarcas oficiais e documentos públicos — no celular de um dos condenados, a PF encontrou diários oficiais, alvarás e atas de reuniões que foram usados para embasar a fraude.

    O episódio específico que levou à condenação ocorreu em fevereiro de 2023. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a quadrilha fingiu representar a Associação Nacional dos Delegados da PF em Minas Gerais (ADPF-MG) para enviar um email a uma agência da Caixa situada na própria Superintendência da PF, em Belo Horizonte — utilizando um ofício com assinaturas clonadas, os golpistas induziram o gerente a transferir 18.350 reais a uma conta-laranja.

    Ainda segundo a acusação, o esquema utilizava uma complexa rede de contas bancárias para pulverizar as transferências em até quatro “camadas”, com repasses em pequenas parcelas a uma série de integrantes da quadrilha — diversos dos pagamentos eram de apenas 1 centavo para testar a validade das contas. “Essa estrutura em camadas denota uma organização criminosa com expertise em fraudes bancárias eletrônicas, buscando sistematicamente a ocultação da origem e destinação dos valores”, diz a sentença assinada pelo juiz federal Maurício Mendonça, de Belo Horizonte.

    Três meses após o primeiro golpe, em maio de 2023, a mesma quadrilha tentou aplicar um golpe de aproximadamente 11.000 reais, passando-se pela Caixa de Assistência dos Advogados de Minas Gerais (CAA/MG) — o crime não foi consumado em razão da desconfiança de uma funcionária da Caixa, que ligou para a instituição e confirmou que se tratava de uma fraude.

    Os seis acusados pelo MPF foram condenados por estelionato eletrônico, sendo o líder do esquema sentenciado a sete anos e três meses de prisão e os outros cinco, que operavam as contas-laranja, recebendo penas de seis a oito anos de detenção, iniciando o cumprimento em regime semiaberto.

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