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Itamar Franco correu risco de sofrer impeachment, revela novo livro

'A Corte e o Poder' revela 135 anos de bastidores do STF diante do poder

Por Daniel Gullino Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 out 2026, 12h01
Itamar Franco correu risco de sofrer impeachment, revela novo livro Priorize VEJA no Google

Em 1994, Itamar Franco ficou a um passo de se tornar o segundo presidente afastado em pouco mais de um ano, depois de Fernando Collor. O motivo foi uma ordem do Palácio do Planalto para que o Banco do Brasil estornasse das contas de ministros do STF, juízes de tribunais superiores e parlamentares valores que o Supremo havia garantido. Isso porque desobedecer a uma decisão judicial configura crime de responsabilidade.

O impasse acabou desarmado numa reunião de emergência na residência do então procurador-geral Aristides Junqueira, com Fernando Henrique Cardoso, à época titular da Fazenda, e o magistrado Paulo Brossard. Ali, o governo se comprometeu a não repetir o desacato.

O bastidor inédito está no livro “A Corte e o Poder: Constituições de mais e constitucionalismo de menos”, escrito pelo ministro Og Fernandes, do STJ, e pelo professor Luis Henrique Madalena.

A pesquisa combina fontes primárias e entrevistas exclusivas com José Sarney, Nelson Jobim, Gilmar Mendes, Francisco Rezek, Nilson Naves, Aristides Junqueira e José Paulo Cavalcanti Filho.

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O percurso começa pelo habeas corpus nº 300, de 1892, em que Ruy Barbosa desafiou o estado de sítio de Floriano Peixoto e o ministro do STF Joaquim de Toledo Piza e Almeida foi o único a divergir.

Passa pela Era Vargas, quando o colegiado recorreu ao “não conhecimento” de pedidos para fugir de choques com o regime, postura que permitiu a entrega de Olga Benário, grávida, à Alemanha nazista.

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Na ditadura militar, a narrativa reconstitui as liminares que contrariaram generais logo após 1964, inclusive em favor de governadores perseguidos, e o trauma do AI-5, que abriu caminho para a aposentadoria compulsória de três magistrados e levou outros dois a deixarem o cargo em protesto.

No prefácio, o decano Gilmar Mendes adverte que “instituições não são conquistas definitivas”. No posfácio, Nelson Jobim, ex-presidente do STF, resume: “Nenhuma Constituição se defende sozinha. Textos não resistem; pessoas resistem, ou deixam de resistir. ”

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O lançamento será em 10 de novembro, às 18h, no Espaço Cultural da própria Casa, em Brasília.

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