‘Imagine o que acontecerá com Lulinha’, diz ministro sobre guerra de Dino e Mendonça no STF
Graças a uma manobra da PF com aval da PGR, investigação contra o filho do presidente Lula tem os dois ministros em atrito como relatores
Ministros do STF ouvidos pelo Radar avaliam que a guerra aberta entre Flávio Dino e André Mendonça, por causa do afastamento do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, é apenas uma demonstração do que acontecerá, caso as investigações de tráfico de influência contra Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente Lula, avancem no Supremo.
Graças a um movimento da Polícia Federal — com aval do chefe da PGR, Paulo Gonet –, durante o plantão do STF que era comandado por Alexandre de Moraes, a investigação contra Lulinha foi fatiada numa tentativa de tirar o caso das mãos de Mendonça.
No sorteio de relator, Mendonça acabou sendo escolhido novamente para relatar alguns casos contra Lulinha, mas Flávio Dino também virou relator de outra apuração contra o filho de Lula.
A movimentação incomum sobre o caso no STF produziu uma anomalia, na visão de um ministro da Corte: “Lulinha é investigado em um caso com dois relatores. Logo, se Mendonça mandar prender o filho do presidente Lula, quem garante que Dino não mandará soltar?”
Entretanto, para o advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, esse não é um temor da defesa, que reconhece as aptidões técnicas e morais dos magistrados na condução dos inquéritos.
“Nós reconhecemos todas as credenciais técnicas e morais tanto do ministro Flávio Dino quanto do ministro André Mendonça para conduzir cada um dos inquéritos no STF. Não vemos, por ora, nenhum motivo para duvidar do comportamento de ambos. É uma condução serena e bastante íntegra”, diz Marco Aurélio de Carvalho.
“Nós seguimos confiando num e noutro. E mais do que isso, confiando nos próprios autos, que confirmam o que a defesa vem dizendo desde o início: o caminho natural para esses inquéritos é o arquivamento”, segue o advogado.
Para o representante do filho do presidente, se Fábio Luís não fosse o primogênito de Lula, os inquéritos já estariam arquivados. “E se ele fosse filho do ex-presidente Bolsonaro, pelo grau de politização de parte da Polícia Federal, esses inquéritos nem sequer teriam sido instaurados. Essa é a verdade, pura e simples”, defendeu Carvalho.





