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Governo federal tenta comprar vacina da estatal chinesa Sinopharm

Ofício foi enviado à embaixada chinesa nesta segunda-feira e fala de possibilidade de interrupção da campanha nacional de vacinação

Por Eduardo Gonçalves Atualizado em 9 mar 2021, 18h32 - Publicado em 9 mar 2021, 17h57

O ministério da Saúde enviou nesta segunda-feira, dia 8, uma carta à embaixada da China pedindo a aquisição de 30 milhões de doses da vacina fabricada pela estatal chinesa Sinopharm.

O ofício é assinado pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Antônio Elcio Franco Filho. O tom da carta é de preocupação pela possibilidade de a campanha de vacinação no Brasil ser interrompida por falta de imunizantes contra a Covid-19.

“A campanha nacional de imunização, contudo, corre risco de ser interrompida por falta de doses, dada a escassez da oferta internacional. Por conta disso, o Ministério da Saúde vem buscando estabelecer contato com novos fornecedores, em especial a Sinopharm, cuja vacina é de comprovada eficácia contra a Covid-19”.

Para enfatizar o pedido endereçado ao embaixador Yang Wanming, o secretário-executivo lembra que o Brasil enfrenta hoje uma nova variante do coronavírus, que se mostra “capaz de evoluir em quadro clínico grave com rapidez”. E que a principal estratégia para conter essa cepa é “intensificar a vacinação”.

“Nesse contexto, muito agradeceria os bons ofícios de Vossa Excelência para averiguar a possibilidade de a Sinopharm forcener 30 milhões de doses da vacina”, escreveu o secretário, frisando que seria importante que as doses chegassem ainda no primeiro semestre deste ano.

A movimentação ocorre no mesmo momento em que o Legislativo faz uma uma ofensiva para destravar as negociação de novas vacinas junto a embaixadas estrangeiras.  “Se ficarmos só esperando o governo federal, não vai acontecer. Temos que juntar todo mundo, o Congresso, os governadores e a Anvisa para buscar uma solução. Não adianta remediar, temos que solucionar”, disse o deputado Fausto Pinato (PP-SP), presidente da Frente Parlamentar dos Brics, que vem participando da reunião com as embaixadas desde o ano passado. Ele faz um apelo ao governo federal para que, além de trazer as doses ao país, tente firmar parcerias com as farmacêuticas estrangeiras para produzir o IFA, o insumo fundamental para a produção de vacinas, em solo nacional. “Assim controlaríamos melhor o nosso cronograma”.

Nesta segunda-feira, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-SP), se reuniu com o embaixador Yang Wanming e divulgou carta em que faz um apelo para que o governo chinês ajude o Brasil a “salvar vidas”. “Eu me dirijo ao governo chinês nesse momento de grande angústia para nós, brasileiros, para que nossos parceiros chineses tenham um olhar amigo, humano, solidário e nos ajudem a superar a pandemia, oferecendo os insumos, as vacinas, todo o apoio que este grande parceiro da China precisa neste grave momento”, diz o texto.

Wanming já teve desavenças públicas com o filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O parlamentar postou em suas redes que o país oriental tinha culpa pela pandemia, e o embaixador exigiu um pedido de desculpas.

 

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