Fiocruz detecta cocaína em rios e canais do Rio de Janeiro
Estudo detectou a droga e seu principal metabólito em amostras de cinco pontos da Região Metropolitana
Resíduos de cocaína estão circulando pelas águas de rios e canais da Região Metropolitana do Rio, segundo uma pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A análise encontrou a droga e benzoilecgonina, substância produzida pelo organismo após o consumo de cocaína, em pontos dos rios Irajá, Carioca e Meriti e dos canais do Mangue e do Cunha.
As amostras foram recolhidas entre julho de 2022 e junho de 2023. A benzoilecgonina apareceu em todas as coletas, enquanto a cocaína só não foi identificada em uma delas. Em testes realizados com embriões de peixe-zebra, os pesquisadores observaram maior mortalidade, alterações neurológicas e deformações no desenvolvimento dos animais expostos às substâncias.
Para os cientistas, o resultado expõe dois problemas: a circulação da droga e a deficiência no tratamento do esgoto, que permite que esses compostos alcancem os cursos d’água. Apesar do alto grau de degradação dos rios analisados, todos eles deságuam na Baía de Guanabara, onde há uma ampla variedade de espécies marinhas. Outro estudo da Fiocruz, publicado em 2024, já havia encontrado vestígios de cocaína em tubarões capturados na região do Recreio dos Bandeirantes.





