Filho de doméstica e pedreiro: a estratégia do 1° lugar em Medicina na USP para chegar ao pódio
Wesley de Jesus Batista, 23, enfrentou muitas dificuldades como aluno da rede pública, como escassez de professores e falta de base
Quando Wesley de Jesus Batista, de 23 anos, viu seu nome como primeiro colocado em medicina na Universidade de São Paulo (USP), um dos cursos mais disputados no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), pareceu não acreditar. O rapaz balbuciou “passei, passei”, enquanto seus pais, a doméstica Liliana de Jesus e o pedreiro Djalma Batista, celebravam ao fundo. O vídeo viralizou, somando mais de um milhão de visualizações. Criado no bairro de Águas Claras, periferia de Salvador, Wesley estudou a vida inteira na rede pública. O sonho parecia distante.
“A jornada do vestibulando é cheia de altos e baixos, e tiveram momentos, ainda que poucos, que desanimei. Mas retornava ao propósito inicial e me mantinha constante na preparação. Já havia sido aprovado em medicina em outra universidade do meu estado, mas meu sonho sempre foi estudar na USP, a melhor da América Latina”, conta o baiano a VEJA. “Deus é meu guia e sempre me auxiliou em todo o processo. Sem Jesus, nada eu poderia conseguir. Minha família também me apoiava e acreditava que eu seria capaz de alcançar a aprovação.”
O sonho de ser médico despertou ainda na infância, quando precisou ser hospitalizado várias vezes devido a uma doença respiratória. Enfrentou muitas dificuldades como aluno da rede pública, como escassez de professores e falta de base. A jornada, conta Wesley, não foi fácil. Foram cinco anos de estudo, baseados em livros e apostilas doadas, além de aulas gratuitas no YouTube. Aos que ainda estão na luta para uma vaga, o futuro médico aconselha a criar um planejamento estratégico com todos os conteúdos a serem estudados e montar um cronograma com as matérias.
Agora que deu um novo passo em direção ao estetoscópio, o desafio é outro: conseguir bancar a mudança para São Paulo, capital conhecida pelo alto custo de vida, para permanecer por lá nos anos de graduação.
“A única certeza que tenho é que fui aprovado no curso e faculdade dos meus sonhos. Mas o futuro ainda é um pouco incerto, porque preciso conseguir me manter até formar em outro estado e cidade que são caros, e por isso uma vaquinha on-line foi criada para que eu pudesse tornar esse sonho realidade”, afirma Wesley, que diz que foi surpreendido por uma onda de solidariedade.
“Muita gente tem entrado em contato de todos os cantos do Brasil e muitos outros países. Tem sido um sucesso inesperado. A vaquinha está no meu perfil do Instagram (wesley.batiista), e lá estão todas as informações de como poder me ajudar”, explica. Para fazer sua doação, clique aqui ou aqui.





