Ex-empregada acusada de furtar Deolane é ameaçada em áudio: ‘Dinheiro do crime’
Denise Rosane Bastos sofreu intimidações de criminosos após ser acusada de roubar R$ 80 mil em espécie da casa do filho da influencer
Uma ex-empregada doméstica que trabalhou para a influenciadora e advogada Deolane Bezerra afirma ter sofrido várias ameaças e intimidações depois de ser acusada de roubar 80.000 reais em dinheiro vivo da casa de um dos filhos dela, Kayky Bezerra. O rapaz vive em um apartamento no Tatuapé, bairro da zona leste de São Paulo. Denise Rosane Bastos foi procurada por pessoas que afirmaram pertencer ao crime organizado e que o dinheiro não era dela, mas sim destinado à lavagem de dinheiro.
O episódio aconteceu em novembro de 2025 e foi parar na Justiça em maio deste ano, quando Denise ofertou uma queixa-crime contra a antiga patroa. Ela apresentou áudios que comprovam que ela foi procurada primeiro por Deolane, que exigiu os 80.000 reais de volta, e depois por outros homens, que se apresentaram como membros do crime organizado que seriam os verdadeiros “donos” do dinheiro.
Eles foram até a casa de Denise em Ribeirão Preto, onde ela não foi encontrada, e também em São Paulo. A empregada tem um apartamento na vila Maria, zona norte da capital paulista, apenas para ficar quando faz diárias na cidade.
“Não ache que você roubou, que você catou um dinheiro lá na caminhada lá com um menino, o filho da Deolane, que eles são playboy, rico, o caralho à quatro (sic). Eles lavam dinheiro pra nós, dinheiro do crime, certo? Então, por favor, devolve o nosso dinheiro, só te peço isso, certo? Vou aguardar seu retorno aí. Não adianta vir com ideia”, diz um homem que se identificou apenas como “John” em um trecho dos áudios. Ele cita o endereço de Denise e da família dela. “Se você meter o louco em nós, vai ser poucas ideias”, complementa em outro trecho.
Em outra parte do áudio, o homem fala: “O dinheiro é oriundo do crime, nós lavamos o dinheiro com os parceiros lá, a mãe do parceiro, o parceiro fecha com nós, então faça favor, devolve o dinheiro aí, aqui aos 80 mil de volta”. As pessoas de quem ele fala são Deolane e o filho dela, Kayky. Denise disse que teve seu apartamento revistado por alguns homens, que também vasculharam as mensagens do seu celular.
‘Não aceito mais desculpas’
À VEJA, Denise disse que não consegue mais trabalhos como empregada doméstica em São Paulo. Ela continua fazendo diárias em Ribeirão Preto e trabalha no comércio do pai. “Eu me senti ameaçada e prejudicada”, disse, complementando em seguida: “Eu não quero o dinheiro dela (Deolane), nunca quis. Antes, queria que ela me pedisse desculpas, se fosse da mesma maneira que ela fez para me prejudicar eu aceitaria. Hoje, não mais”. O advogado dela, Hugo Amorim, afirma que o objetivo do processo é “limpar o nome e a índole” de Denise.
A ação foi apresentada à Justiça em março deste ano. Deolane ainda não foi intimada para se defender porque o caso está em uma discussão sobre onde será julgado. A reportagem procurou o advogado dela, mas até o momento não obteve retorno. O espaço está aberto para manifestação.
Deolane Bezerra foi presa na última quinta-feira, 22, em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que miravam a lavagem de dinheiro para o PCC. Segundo os delegados que conduziram o inquérito, a advogada teria aberto 35 empresas nos últimos anos e fazia parte de um “oceano” de lavagem de dinheiro, ligado ao crime organizado. Além da prisão, a Justiça autorizou a apreensão dos seus bens – dentre eles, quatro veículos de luxo que ultrapassam os R$ 5 milhões.





