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Empresa dona de helicóptero que caiu com Boechat já foi multada pela Anac

Por oferecer voos panorâmicos sem ter permissão, RQ Serviços Aéreos Especializados pagou R$ 8 mil. Empresa não estava autorizada a fazer táxi-aéreo

Impedida de prestar serviços de táxi-aéreo, a empresa dona do helicóptero que caiu com o jornalista Ricardo Boechat nesta segunda-feira, 11, já havia sido multada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por disponibilizar tipos de viagem que não poderia executar.

Em 2011, a RQ Serviços Aéreos Especializados Ltda. recebeu uma multa de 20.000 reais por veicular propaganda oferecendo voos panorâmicos. Após recursos no decorrer do processo na Anac, o valor efetivamente pago foi de 8.000 reais.

Propriedade do piloto Ronaldo Quattrucci, que também morreu no acidente desta segunda, a empresa tem autorização da Anac para prestar os serviços de aerofotografia, aerorreportagem e aerocinematografia, “entre outros do mesmo ramo”. Assim, seria permitido, por exemplo, que passageiros com câmeras estivessem a bordo das aeronaves da empresa para executar tais serviços, mas era proibido que se cobrasse para fazer as viagens.

“Qualquer outra atividade remunerada fora das mencionadas não poderia ser prestada”, diz a agência por meio de nota. A Anac informa ainda que “abriu procedimento administrativo para apurar o tipo de transporte que estava sendo realizado no momento do acidente”.

O helicóptero que levava Ricardo Boechat, um Bell de matrícula PT-HPG, colidiu com um caminhão, caiu e explodiu na Rodovia Anhanguera, próximo ao quilômetro 7 do Rodoanel, em São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 12 h desta segunda-feira.

Boechat retornava de Campinas, onde havia feito uma palestra em encontro da Libbs, empresa farmacêutica, na manhã desta segunda-feira. Além do helicóptero que caiu, a frota da RQ Serviços Aéreos Especializados tem mais duas aeronaves, de matrículas PT-TRQ e PT-YSG.

Helicóptero regular

De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o helicóptero que caiu com Boechat tinha documentação dentro da validade e o certificado de aeronavegabilidade (CA) venceria em maio de 2023. A inspeção anual de manutenção (IAM) da aeronave precisaria ser feita novamente apenas no dia 16 de maio de 2019.

As causas do acidente ainda são desconhecidas e serão apuradas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), que informou estar realizando a ação inicial da ocorrência, começo do processo de investigação.