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Em movimento calculado, Castro renuncia nesta segunda ao governo do Rio; entenda

Saída ocorre às vésperas de decisão do TSE que pode deixar governador inelegível por até oito anos

Por Ricardo Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 mar 2026, 10h04 • Atualizado em 23 mar 2026, 10h36
  • Já está tudo acertado para a saída de Claudio Castro do governo do Rio. Ele irá anunciar oficialmente sua renúncia em uma cerimônia no Palácio Guanabara que deverá contar com a presença de apoiadores, nesta segunda-feira, às 16h30. Convites foram distribuídos ao longo do domingo, 22.

    A medida ocorre às vésperas do julgamento no TSE que irá decidir o futuro político de Castro. Ele responde por abuso de poder político, econômico e má conduta de agentes públicos, durante a campanha pela reeleição em 2022.

    O governador, Thiago Pampolha, ex-vice-governador e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, são acusados de distribuir cargos, sem concurso público a apoiadores, utilizando a Fundação Ceperj, uma autarquia estadual.

    Se condenados, os réus podem perder o cargo e ficar inelegíveis por oito anos. Dois ministros do Tribunal já deram votos pela condenação. O ministro Nunes Marques, terceiro a votar, pediu vistas, mas anunciou que retomaria o tema na sessão de quarta-feira, 25.

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    A renúncia é um movimento calculado de Castro. Seus advogados aconselharam a medida para que o governador não tenha de brigar em duas frentes – a perda de mandato e a inelegibilidade. A ideia é entrar com recurso na Justiça para obter uma liminar que o permita concorrer a uma vaga ao Senado.

    Na sexta-feira, o governador exonerou onze secretários de seu governo para que eles possam disputar cargos nas eleições de 2026. Em nota, o Palácio Guanabara afirmou que as mudanças “fazem parte do calendário eleitoral e são naturais neste momento”.

    Como o estado do Rio de Janeiro não tem vice-governador, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, assume o cargo interinamente. A Constituição do estado determina, nesse caso, que ele convoque uma eleição indireta. São os deputados da Alerj quem terão de escolher quem vai exercer um mandato tampão de oito meses até janeiro.

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    A ideia do grupo político de Castro era eleger Douglas Ruas (PL), ex-secretário de cidades e pré-candidato ao governo nas eleições de outubro. Uma decisão de Luiz Fux, do STF, porém, determinou que apenas pessoas que tenham se desincompatibilizado de cargos do Executivo há, pelo menos, seis meses, podem concorrer. A decisão embaralhou o jogo eleitoral e a base aliada terá de encontrar um novo nome.

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