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Em evento, mulher de João de Deus pede oração para que ‘verdade prevaleça’

Ana Keyla Teixeira esteve em festa de distribuição de brinquedos na manhã deste sábado, 15

“Que a verdade prevaleça”, afirmou Ana Keyla Teixeira, mulher de João de Deus, durante a festa de distribuição de brinquedos, promovida pela família, na manhã deste sábado, 15. Trajando uma camiseta com a foto de seu marido e com os dizeres “Obrigada João de Deus”, ela pediu orações aos presentes. “Apesar das turbulências, peço que todos continuem rezando para que a verdade prevaleça”.

Ana Keyla não deu entrevistas. João de Deus, médium que ficou conhecido internacionalmente, está com a prisão preventiva decretada, acusado de abusar sexualmente de mulheres. Seu advogado, Alberto Zacharias Toron, afirmou que ele se entregaria espontaneamente, mas não revelou quando.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Goiás, não há prazo para que o médium seja considerado foragido.

A festa de distribuição de brinquedos é realizada todos os anos. É um dos acontecimentos de Abadiânia, cidade a 112 quilômetros de Brasília, patrocinados pelo médium. Um toldo é estendido em frente da casa do médium. Depois do almoço, há distribuição de brinquedos.

Todos os anos, cerca de 2.000 pessoas participam do evento. Este ano, no entanto, a movimentação está muito abaixo da média. No fim da manhã de sábado, cerca de 200 pessoas estavam no local, a maioria crianças. Voluntários da Casa Dom Inácio de Loyola, onde o médium presta atendimento, estão presentes. O clima, entretanto, está longe de ser de celebração.

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Prisão

A Justiça de Goiás decretou a prisão preventiva de João de Deus na sexta-feira, 15, após pedido do Ministério Público (MP) que reuniu ao menos 335 denúncias feitas por mulheres de 14 Estados e seis países.

Na sexta, a defesa de João de Deus havia informado que ele iria se entregar depois de acertar as “condições”. A justificativa era que o médium teria problemas de saúde e também estaria com a segurança em risco, caso dividisse cela com outros detentos.

Após o decreto da Justiça, policiais fizeram buscas em mais de 20 locais atrás do médium – sem sucesso. Desde quarta-feira, 12, quando apareceu na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, ele só fez um pronunciamento de poucos minutos para declarar sua inocência, e não foi mais visto.

Para pedir a prisão de João de Deus, o MP justificou que, caso permanecesse solto, o médium poderia ameaçar mulheres que dizem ter sido abusadas sexualmente ou, ainda, fazer novas vítimas. As investigações tiveram início na segunda-feira, dois dias após a TV Globo, no programa Conversa com Bial, apresentar depoimentos de mulheres que relataram ter sido abusadas sexualmente.

A polícia também recebe depoimentos de supostas vítimas. Só em Abadiânia, três inquéritos foram instaurados nos últimos dias. Outros casos anteriores chegaram a ser arquivados por falta de provas, mas a recomendação, agora, é que sejam reabertos.

A Promotoria calcula que, se comprovadas as denúncias, João de Deus pode ter uma sentença superior a 150 anos de prisão. Os relatos indicam três crimes: estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.