Em decisão, Mendonça vê indícios de vazamento de operação da PF contra Jaques Wagner
Petista solicitou encontro com relator do caso Master no mesmo dia em que investigadores enviaram ao Supremo os pedidos contra ele
Numa decisão assinada em 17 junho e só agora tornada pública, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a Polícia Federal a acessar registros telefônicos (dados de localização) de aparelhos celulares de Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, e do ex-sócio de Daniel Vorcaro, o empresário Augusto Lima, apontado como pivô de esquemas criminosos envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia.
Ao autorizar as ações da Polícia Federal, o ministro advertiu os investigadores sobre o risco de vazamentos de informações privilegiadas, em poder de investigadores da própria PF, para o senador do PT.
O fato que motivou o alerta do ministro, dentro da decisão, foi o fato de Wagner ter solicitado uma audiência ao gabinete dele no Supremo antes mesmo de que os pedidos de operação da PF tivessem chegado ao magistrado.
“Quanto ao ponto, impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa (09/06/2026), inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações formuladas”, diz Mendonça na decisão.
Wagner tem forte influência em setores da PF e do Palácio do Planalto, já que foi ele quem comprou uma briga interna do PT, ainda durante a gestão de Ricardo Lewandowski, para que um apadrinhado seu, o atual ministro da Justiça Wellington Silva, fosse nomeado chefe da pasta que comanda a PF.
O fato ganhou destaque nesta semana, diante da ação da PF para tentar evitar que o ministro avance nas investigações do esquema de corrupção que envolve o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Além de não concluir a análise de dados sigilosos colhidos pela investigação, a PF resiste a atender ordens do relator do caso no STF, num raro caso de insubordinação.
Nesta semana, a Folha revelou que a PF decidiu acionar a AGU para tentar interferir nos trabalhos de investigação do caso das fraudes do INSS sob relatoria de Mendonça. O movimento é mais um episódio numa guerra de tensões que envolve o governo Lula em movimentos para tentar atrapalhar as apurações sobre o filho do presidente da República.
Há alguns meses, o próprio presidente cobrou da PF a remoção de delegados que atuavam fora da instituição. A medida foi vista como uma tentativa de pressionar os investigadores do caso.
No curso das apurações contra Lulinha, diante de pressões políticas para que terminasse a análise do sigilo fiscal do filho do presidente da República, um investigador pediu para deixar suas funções.
Há outros relatos de pressões contra investigadores da PF que seguem sob apuração.







