Desmatamento da Amazônia atinge recorde em uma década

Novo levantamento do governo mostra que no último ano, 7.900 quilômetros quadrados de floresta amazônica foram destruídos. O aumento foi de 13,7%, em um ano

Por Da Redação - 24 nov 2018, 18h40

O desmatamento da Amazônia atingiu seu maior nível em uma década neste ano, impulsionado pela exploração ilegal de madeira e pelo avanço da agricultura sobre a floresta, mostraram dados do governo nesta sexta-feira. Imagens de satélite mostraram que entre julho de 2017 e julho de 2018, 7.900 quilômetros quadrados de floresta amazônica foram destruídos, equivalente a mais da metade do território da Jamaica. O valor representa um crescimento de 13,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram desmatados 6.947 km².

Os estados que apresentaram os índices mais elevados de desmatamento foram: Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. Mato Grosso é principal produtor de grãos do Brasil e lidera a elevação na produção de soja. O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, pediu que o governo aumente a fiscalização da exploração ilegal de madeira na floresta.

Os ministérios esclarecem que apesar do recorde, o desmatamento registrado neste ano foi reduzido em 72% em relação à taxa de 2004, quando o governo federal iniciou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). O resultado também representa 60% da meta prevista na Política Nacional sobre Mudança do Clima.

Marcio Astrini, do Greenpeace, disse que o governo brasileiro não faz o bastante para combater o desmatamento e políticas adotadas recentemente, como a redução de áreas protegidas, incentivaram a destruição florestal. Essa e outras organizações não-governamentais, como o  Observatório do Clima, demonstram preocupação com a possibilidade de o desmatamento aumentar ainda mais durante o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, que assumirá em janeiro. Ele é um crítico do Ibama e tem no setor agrícola um de seus principais grupos de apoio.

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Apesar da elevação recente, o desmatamento ainda está bem abaixo dos níveis recordes do início dos anos 2000, antes de o governo brasileiro lançar uma estratégia para combater a destruição florestal. Em 2004, por exemplo, mais de 27.000 quilômetros quadrados foram desmatados, uma área do tamanho do Haiti.

Cientistas consideram a Amazônia como uma das principais proteções naturais contra o aquecimento global, já que a floresta atua como gigantesca absorvedora de carbono. A floresta também é rica em biodiversidade e abriga bilhões de espécies ainda não estudadas.

Ações de combate

O Ministério do Meio Ambiente ressaltou que as ações de fiscalização ambiental e de combate ao desmatamento na Amazônia foram intensificadas desde o ano passado. Segundo a pasta, este ano o número de autuações pelo Ibama aumentou 6%.

O total de áreas embargadas cresceu 56%, o volume de madeira apreendida subiu 131% e o de equipamentos apreendidos, 183% neste último levantamento em relação aos resultados das operações contra ações ilegais do ano anterir.

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As ações de fiscalização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também cresceram. Em 2018, de acordo com o ministério, aumentaram em 40% as autuações, 20% as áreas embargadas e 40% as apreensões de madeira e equipamentos feitas pelo ICMBio.

A pasta acrescenta ainda que foram criadas mais 2 unidades de conservação de uso sustentável, que totalizam mais 600 mil hectares. No período, também foram instaurados pela Polícia Federal mais de 820 procedimentos contra crimes relacionados ao desmatamento ilegal, como lavagem de dinheiro, tráfico de armas, drogas e animais e trabalho escravo.

Aquecimento global

O desmatamento é um fator-chave por trás do aquecimento global e responde por cerca de 15% das emissões anuais de gases do efeito estufa, patamar similar ao do setor de transporte. Na sexta-feira, um relatório do governo dos Estados Unidos apontou que a mudança climática custará aos EUA centenas de bilhões de dólares até o final do século.

(Com Reuters e Agência Brasil)

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