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Deputado diz que vai processar Daniel Silveira após entrevista a VEJA

"Ele tenta se defender da mesma forma pela qual ele está sendo investigado", diz Felício Laterça, também do PSL

Por Ricardo Ferraz 8 abr 2021, 15h58

O deputado federal Felício Laterça (PSL-RJ) disse que vai processar Daniel Silveira (PSL-RJ) e exigir reparação por danos morais, após a entrevista concedida pelo colega de partido com exclusividade a VEJA.  “Silveira tenta se defender da mesma forma pela qual ele está sendo investigado: com ataques, mentiras e ilações. Ele se orgulha de ter sido preso. Eu me orgulho de não ter uma anotação sequer em minha ficha durante 30 anos de serviços prestados como policial civil, oficial de justiça e delegado de Polícia Federal. Me orgulho também das dezenas de prisões que fiz”, rebate Laterça.

O deputado também afirma que vai representar contra Silveira na Executiva Nacional do PSL e no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

No dia 22 de fevereiro, após a prisão de Daniel Silveira, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, Laterça declarou ao Estadão que o deputado tinha o hábito de fazer gravações das conversas que mantinha com interlocutores da Câmara e do governo, inclusive com o presidente Jair Bolsonaro. Perguntado sobre a denúncia, Silveira classificou Laterça como “mentiroso”, “moleque” e “digno de pena”. “Nunca gravei o presidente nem nunca o faria. Laterça é covarde e quis fazer sensacionalismo num momento em que eu estava em um presídio e não tinha como me defender”, disse.

A VEJA, Laterça reafirmou que Silveira o procurou para propor participação na organização de atos antidemocráticos, que defendiam intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, teria dito “dá para ganhar dinheiro na boa” com as manifestações. Silveira nega as acusações.

Os dois deputados são do mesmo partido, mas fazem parte de alas diferentes. Silveira se manteve fiel ao governo depois que o presidente Jair Bolsonaro deixou a legenda. Já Laterça integra o grupo que busca independência. Antes colegas, ambos integraram uma comitiva da Câmara à China, mas se distanciaram depois do racha na bancada. “Me afastei de Silveira depois da canalhice que ele fez que foi a gravação de uma reunião do partido em que se discutia a liderança do PSL na câmara, em 2019”, diz Laterça.

Além de gravar as  conversas, Laterça afirma também que Silveira costumava exibir pelos corredores da câmara imagens de mulheres com quem mantinha relacionamento.  “Eu nunca vi, mas ele mostrava a parlamentares e assessores fotos e vídeos íntimos de mulheres com as quais se relacionava, se vangloriando”.

Atualmente, Silveira se encontra em prisão domiciliar por determinação do ministro Alexandre de Moraes, depois de divulgar um vídeo com ataques pessoais aos membros do STF. Ele é investigado em dois inquéritos abertos pelo Supremo: um que apura a produção e divulgação de notícias falsas e outro que trata da organização de atos antidemocráticos contra a corte superior do país.

André Rios, advogado de Silveira, afirmou que o cliente “não falou nenhuma mentira” na entrevista a VEJA. Quanto à acusação de exibir vídeos e fotos íntimas, a defesa afirma que são “Ilações de quem não tem trabalho nenhum e quer se promover a todo custo”.

 

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