Depois do falso advogado, criminosos criam o falso juiz
Mensagens citam bloqueio de bens e contas bancárias por determinação da Justiça
Na tentativa de ampliar golpes para roubar inocentes, bandidos aperfeiçoam seus crimes todos os dias. Pela internet ou celular não é diferente. Depois de estelionatários criarem o “falso advogado”, agora ampliaram a ousadia e se passam por tribunais de Justiça, em uma espécie de “falso juiz”.
Neste semana, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) emitiu nota pública para alertar sobre a circulação de falsas mensagens tipo SMS que circulam. Os textos falsos seguem o mesmo padrão de golpes anteriores, com erros de ortografia e links suspeitos. Em uma delas, há citação de que o CPF da vítima está irregular. Na sequência, um “alerta” falso para evitar bloqueios de bens ou conta bancária, o que só pode ser feito por determinação judicial, ou seja, por um magistrado nos autos processuais. As intimações são feitas para advogados dos casos e não por telefone ou mensagens diretamente para pessoas envolvidas nos autos.
O ato, como declarou o TJ-RS, caracteriza “uma tentativa de phishing, golpe cibernético no qual criminosos se passam por entidades confiáveis — como bancos, empresas ou órgãos públicos — por meio de e-mail, mensagens de texto ou redes sociais. Diversos usuários relataram o recebimento de textos que mencionam supostas irregularidades no CPF do destinatário e solicitam o acesso a links”.
O TJ-RS informou que não envia mensagens de texto (SMS) para cidadãos, seja para o público interno ou externo, bem como os demais tribunais estaduais ou instâncias superiores (STJ e STF). “Essas comunicações são fraudulentas e têm como objetivo obter indevidamente dados pessoais ou financeiros”, alertou o TJ-RS. A orientação caso receba esse tipo de mensagem, é não responder ao SMS; não clicar em links ou arquivos recebidos e apagar a mensagem ou registrar a ocorrência como tentativa de phishing junto à sua operadora.
Já no chamado “golpe do falso advogado“, o estelionatário usa fotos de profissionais de verdade e liga se passando pelo escritório de advocacia para persuadir inocentes em troca de informações confidenciais ou transações bancárias. Em um das investigações realizadas no Distrito Federal, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) descobriu possível elo desses grupos criminosos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), como VEJA mostrou em reportagem publicada em janeiro deste ano.





