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Delator não pode escolher quem delatar; é aí que começa o dilema de Daniel Vorcaro

Se o dono do Banco Master tentar proteger alguém e for flagrado mentindo ou omitindo crimes, colocará em risco sua própria delação

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 mar 2026, 06h54 • Atualizado em 17 mar 2026, 07h19
  • A galeria nacional de escândalos de corrupção está repleta de exemplos de delatores que se aventuraram a citar figuras importantes do Judiciário e terminaram dando meia-volta ou perdendo benefícios importantes na negociação.

    Um famoso empreiteiro, um ex-senador, um ex-governador e um grande empresário brasileiro sabem o que é essa montanha. Tentaram escalá-la sem sucesso.

    No atual escândalo do Banco Master, conselheiros de Daniel Vorcaro dizem que ele mudou de advogados para dar um recado claro de que pensa, sim, em delatar.

    Depois de surtar na prisão no dia em que o STF prolongou sua permanência atrás das grades, Vorcaro pode até já ter se decidido por entregar tudo que fez, viu e ouviu nos loucos anos da vida de banqueiro.

    Vorcaro falará de passado, porque banqueiro já não é e nem voltará a ser. Se não entregar o que sabe, passará o resto da vida pagando pelos crimes do maior escândalo de corrupção no sistema financeiro, político e judicial já visto no país.

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    Delatar não é a decisão mais difícil de Vorcaro. Quem delatar e como provar tais crimes é o problema. Se decidir colocar todo mundo no mesmo saco, é provável que tenha dificuldades para levar seu acordo adiante. Não que seja impossível delatar determinadas autoridades no país, mas as provas para tais crimes terão de ser explícitas para que uma delação avance.

    Nos últimos dias, conselheiros de Vorcaro fizeram circular em diferentes rodas de conversa que o banqueiro estaria disposto a derrubar todos os políticos que desfrutaram de sua companhia e dinheiro no Master. Políticos – apenas eles.

    Não é pouca gente, mas também não será o bastante para que Vorcaro conclua uma negociação. Investigadores da Polícia Federal, diante dessa conversa, lembram que não cabe ao delator escolher quem delatar. Se Vorcaro tentar proteger alguém e for flagrado mentindo ou omitindo crimes, colocará em risco sua própria delação.

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    Há, claro, um delator que recentemente foi pego na mentira e mesmo assim obteve um final feliz. Mauro Cid vazou a investigados informações de sua negociação com a PF, admitiu que havia dito tudo que disse por estar pressionado, atacou o próprio magistrado que conduzia seu processo, mas conseguiu a delação. Resta a Vorcaro, ao se decidir pela vida de delator, entregar todo mundo ou contar com a sorte de que suas omissões não sejam descobertas.

    Outro problema para Vorcar, nesse ponto, é que o relator do caso e responsável por homologar um futuro acordo é o ministro André Mendonça, conhecido por sua pouca tolerância com desvios cometidos por investigados.

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