Debate vira ‘pão e circo’ e deixa eleitor de fora, avalia professor da USP
Para Luiz Alberto Farias, professor de opinião pública, confronto priorizou audiência, redes sociais e 'lacração' em vez de troca de ideias e conteúdo
https://www.youtube.com/watch?v=LHTEyvJAO1o
O debate presidencial realizado no domingo, 18, entre Lula e Flávio Bolsonaro, se aproximou mais de um espetáculo voltado às redes sociais do que de uma discussão de propostas. A avaliação é de Luiz Alberto Farias, professor de opinião pública da USP. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, ele afirmou que o formato deixou em segundo plano a troca de ideias e pode ter afastado justamente o eleitor que ainda não está definido. (Este texto é um trecho do vídeo acima)
“Os debates têm migrado para alguma coisa muito mais pão e circo do que efetivamente conteúdo”, afirmou Farias. Segundo ele, os candidatos transformaram o encontro em uma disputa por tempo, atenção e momentos capazes de repercutir nas plataformas digitais.
O que faltou no debate?
Para o professor, não houve uma confrontação efetiva de ideias. Segundo Farias, os candidatos deixaram de responder diretamente às perguntas e passaram a conduzir as intervenções para assuntos escolhidos por eles próprios.
Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro demonstrou maior domínio da dinâmica criada pelas redes. O candidato teria chegado ao debate preparado para produzir cortes e explorar gestos e frases de efeito posteriormente. Lula, por sua vez, apesar de ter mais experiência e conteúdo, teria se perdido em alguns momentos e demonstrado dificuldade para controlar o palco e o tempo.
Farias também criticou a transformação dos debates em eventos cada vez mais orientados pela audiência. Para ele, o formato acaba privilegiando o confronto e a repercussão em detrimento do aprofundamento das questões apresentadas aos candidatos.
Quem fica de fora dessa disputa?
O professor chama atenção especialmente para os eleitores que não estão plenamente identificados com nenhum dos dois candidatos. Segundo ele, mais de 21% dos eleitores optaram por não votar, enquanto os votos brancos e nulos também representam um contingente que poderia ser mobilizado.
Na avaliação de Farias, os cortes produzidos pelas campanhas nas redes sociais dificilmente terão grande impacto sobre esse público. Ele afirmou ter assistido a trechos divulgados tanto por Lula quanto por Flávio e avaliou que esse material tende a circular principalmente dentro das próprias bases eleitorais.
“Normalmente é pregar para convertidos tanto de um lado quanto de outro”, disse.
Como os candidatos podem mudar a estratégia?
Para Farias, o comportamento de Lula e Flávio nos próximos debates será importante para alcançar esse eleitorado. O professor avalia que Flávio deve manter uma postura mais agressiva e orientada à produção de conteúdo para as redes, enquanto Lula precisa melhorar sua preparação para o formato.
Segundo ele, o presidente precisa manter a serenidade e evitar entrar nas provocações do adversário. Farias considera necessário um trabalho de treinamento de mídia, embora ressalte que Lula também precisa conciliar essa preparação com as atividades de governo e a campanha de segundo turno.
O professor também defende mudanças no próprio formato dos debates. Ele afirma sentir falta dos encontros de décadas passadas, nos quais havia mais preocupação com conteúdo e com a discussão de ideias. Para Farias, recuperar esse foco seria uma forma de fazer dos debates mais do que uma disputa por audiência e repercussão nas redes sociais.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







