O presidente dos Estados Unidos era Theodore Roosevelt. O do Brasil, Afonso Pena. Houve espanto corporativo com os primeiros modelos Ford T, saídos de uma linha de montagem em Detroit. As duas guerras mundiais eram ficção. E então, em maio daquele ano de 1908, nascia Tomiko Yano, filha de uma família japonesa de Osaka dona de um comércio de roupas. Ao morrer em 29 de dezembro, aos 116 anos, ela foi lembrada como a mulher mais idosa do mundo. O segredo: longas caminhadas, que praticava com raro afinco até mais de 80.
O nobre posto de longevidade, com a passagem de Tomiko, é agora de uma brasileira, a freira gaúcha Inah Canabarro Lucas, também de 1908, da Congregação Irmãs Teresianas, de Porto Alegre. Ela vive calma e tranquilamente em um quarto do grupo religioso, cercada por enfermeiras e cuidadoras. Pouco fala, mas ri e reza. Tem um rosário nas mãos com frequência. Torce pelo Internacional. “Ela está vivendo, comendo os docinhos dela”, diz o sobrinho, Cleber Vieira Canabarro. “Inah não reclama de nada”, afirma a irmã Teresinha Aragon.
A doçura na voz
Nos anos 1960, o trio americano de música folk Peter, Paul & Mary era incontornável, com o mosaico de vozes aplicado a sucessos como Puff the Magic Dragon, If I Had a Hammer e 500 Miles. Eles associavam as canções a posturas políticas de mãos dadas com os movimentos contra a Guerra do Vietnã e de apoio aos direitos civis liderados por Martin Luther King. Ajudaram, ainda, a encorpar a fama de compositores como Bob Dylan. Peter Yarrow, tímido que ele só, imprimia doses extras de doçura ao repertório. Ele morreu em 7 de janeiro, aos 86 anos. Mary, em 2009, aos 72 anos, Apenas Paul está vivo, com 87 anos.
A política do ódio
Aos olhos de hoje, em mundo raivoso, com a ascensão da extrema direita, é possível que Jean-Marie Le Pen soasse como um ridículo bufão. Em 1972, e ao longo de um terço de século, contudo, ele despontou na França, em postura xenófoba, racista e antissemita, de modo assustador. Mais assombroso ainda foi vê-lo levar seu partido, a Frente Nacional — hoje chamado de Reagrupamento Nacional, com a liderança da filha Marine, fingindo-se de decente —, a patamares inacreditáveis. Em 2002, Le Pen foi para o segundo turno da eleição presidencial, derrotado por Jacques Chirac. O tempo tem o dom de abrandar os disparates, mas convém não esquecer as posturas do líder radical. “Não digo que as câmaras de gás não tenham existido, mas são um detalhe da Segunda Guerra”, rugiu. Ele morreu em 7 de janeiro, aos 96 anos.
Publicado em VEJA de 10 de janeiro de 2025, edição nº 2926





