Conhecido pela irreverência e pelo forte sotaque sulista, Ted Turner transformou de forma definitiva o jornalismo televisivo ao lançar, em 1980, a primeira rede de notícias 24 horas do mundo, a CNN. Sua visão audaciosa de transmitir eventos globais em tempo real quebrou paradigmas e lhe rendeu vários prêmios. Como empresário, construiu um vasto império que englobou a primeira superestação de TV a cabo, os canais Cartoon Network, TNT e TBS, além do time de beisebol Atlanta Braves — o esporte era uma de suas maiores paixões.
A vida pessoal de Turner foi igualmente célebre. Nela se destaca o casamento com a atriz e ativista Jane Fonda, entre 1991 e 2001, união que formou um dos casais mais famosos e midiáticos dos Estados Unidos. Além da comunicação, Turner notabilizou-se como velejador, campeão da prestigiada e dificílima America’s Cup. Além disso, foi um dos maiores filantropos de sua geração. Doou 1 bilhão de dólares para apoiar a ONU, atuou de forma crucial na preservação de bisões no Oeste americano e cocriou a animação Capitão Planeta, levando a consciência ecológica ao público infantil, antes mesmo de o tema ganhar o relevo de hoje. Diagnosticado em 2018 com demência com corpos de Lewy, doença neurodegenerativa progressiva, ele foi hospitalizado no início do ano devido a uma pneumonia. Turner morreu em 6 de maio, aos 87 anos.
A trilha sonora do Brasil
“Olhe bem, preste atenção / Nada na mão, nesta também / Nós temos mágicas para fazer / Assim é a vida, olhe para ver.” É imediata a identificação da letra com a melodia de abertura do programa Fantástico, da Rede Globo, lançado em 1973 — que virou marco da cultura brasileira. Quem a escreveu foi o produtor Guto Graça Mello, mestre em criar canções adesivas. Ao longo de cinco décadas de carreira, produziu mais de 500 álbuns, entre eles os de Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e Xuxa. Costurava como poucos, ou ninguém, as trilhas das novelas, que até os anos 2000, antes das ferramentas de distribuição de músicas ao estilo do Spotify, vendiam como pão quente. Na Globo trabalhou em folhetins como Gabriela, Pecado Capital e Saramandaia — coordenava a seleção de compositores, ajudava a criar vinhetas sonoras, dava vida a fenômenos que explodiam pelo país. Graça Mello morreu em 5 de maio, aos 78 anos.
Profissão: repórter
Em 1969, nestas páginas de VEJA, o jornalista Raimundo Pereira driblou a censura e a ditadura militar na coordenação de uma das capas mais memoráveis da revista. A partir de uma frase ambígua de um ministro do general Emílio Garrastazu Médici — “o presidente não admite torturas” — ele construiria uma reportagem de claríssima denúncia contra os abusos do regime nos porões. Aquela ideia fez história, ainda hoje lembrada em cursos de jornalismo. Em 1971, já na equipe da revista REALIDADE, coordenou uma investigação sobre os dramas da Amazônia, premiadíssima.
Inquieto, sempre em busca de outras portas — Pereira era formado em física pela USP, com passagem pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA, de onde fora expulso —, ele fundaria um dos mais reputados periódicos da chamada “imprensa nanica”, de oposição: o Movimento, que existiu de 1975 a 1981, que teve entre seus colaboradores nomes como Fernando Henrique Cardoso e Chico Buarque de Hollanda. Pereira morreu em 2 de maio, aos 85 anos.
Publicado em VEJA de 8 de maio de 2026, edição nº 2994







