Os grandes diretores do cinema francês sempre tiveram especial apreço pela beleza tímida, pela calma e pela elegância em cena da atriz Nathalie Baye. Foi sempre um dos primeiros nomes a serem lembrados quando se tratava de montar um elenco de qualidade. Ela estrelou filmes como A Noite Americana, de François Truffaut, de 1973; Salve-se Quem Puder (A Vida), de Jean-Luc Godard, de 1980; e A Flor do Mal, de Claude Chabrol, de 2003.
A discrição à frente das câmeras nem sempre andava ao lado de sua postura no cotidiano fora do trabalho. Em 2023, ela assinou, juntamente com outras 55 figuras proeminentes da cultura francesa, uma carta aberta em apoio a Gérard Depardieu, que na época era acusado de estupro, agressão sexual e assédio sexual. Baye se manifestou contra “um linchamento que gera dinheiro para jornalistas” e declarou que “ele (Depardieu) pode xingar, mas eu sei que ele não é o homem que está sendo retratado de forma tão monstruosa pela ridícula imprensa sensacionalista”. Ele seria condenado a dezoito meses de prisão, com direito a suspensão de pena depois do pagamento de multa. A postura não manchou a imagem de Nathalie. Nas redes sociais, o presidente Emmanuel Macron prestou homenagem: “Uma atriz com quem amamos, sonhamos e crescemos”. Ela morreu em 17 de abril, aos 77 anos, em decorrência de uma doença neurológica degenerativa.
O roqueiro onipresente
O guitarrista e compositor britânico Dave Mason se autodefinia com um epíteto curioso: o “Forrest Gump do rock”. Faz sentido: assim como o personagem de Tom Hanks, que calhava de estar presente em momentos cruciais da história, Mason deixou sua marca em álbuns antológicos. Guitarrista que trafegava pelo rock psicodélico, blues, folk e soul, ele foi um dos fundadores do Traffic, banda inglesa que nos anos 1960 emplacou hits como Feelin’ Alright? — composição de Mason que teria vida longa depois, na voz de artistas como Joe Cocker. Mas foi na carreira solo, após romper com o Traffic, na virada dos 1970, que ele se notabilizou como talento onipresente. De Jimi Hendrix aos Rolling Stones, passando por Paul McCartney e George Harrison, tocou num rol de discos que fizeram história. Mason manteve-se ativo por quase sessenta anos, anunciando sua aposentadoria no ano passado. Morreu aos 79 anos, de causa não divulgada, em sua casa no estado de Nevada, Estados Unidos.
Publicado em VEJA de 24 de abril de 2026, edição nº 2992





