Pintor, gravurista, fotógrafo e cenógrafo de talento excepcional, David Hockney redefiniu a estética contemporânea. O mestre britânico alcançou o status de ícone ao capturar a essência da pop art nos anos 1960, unindo com maestria a melancolia europeia à luminosidade ensolarada e libertária da Califórnia. Suas célebres telas de piscinas azuladas de Los Angeles, incluindo a obra A Bigger Splash, além de seus íntimos retratos duplos, tornaram-se símbolos de uma geração marcada pela experimentação visual e pela quebra de paradigmas. Ao longo de sua trajetória, Hockney desafiou as fronteiras tradicionais com uma curiosidade insaciável e contagiante.
Das colagens fotográficas cubistas aos monumentais cenários operísticos, passando pelo uso pioneiro da pintura digital em tablets e smartphones, ele provou que a verdadeira arte caminha junto ao progresso tecnológico. Sua capacidade de traduzir o cotidiano por meio de cores intensas e perspectivas audaciosas transformou paisagens comuns em poesia visual, deixando um legado artístico que continuará guiando e inspirando novas gerações. Entre as lições que produziu, a mais preciosa pode ser resumida na frase que sintetizava sua existência: “Ame a vida”. O artista morreu na quinta-feira 11 em sua residência, em Londres, aos 88 anos, de causas naturais.
Personagem marcante
Anne Schedeen deu vida a Kate Tanner em ALF, o ETeimoso, a série americana exibida entre 1986 e 1990 que transformou a convivência entre uma família suburbana e um alienígena do planeta Melmac em comédia de costumes de grande audiência. No papel da mãe da família, Schedeen construiu uma personagem marcante: continha o caos doméstico com uma linha de diálogo seca, sem precisar forçar o riso. Essa contenção — incomum em comédias de época — sustentou o ritmo da série e conferiu credibilidade ao absurdo que a cercava: a atriz era o eixo em torno do qual o humor girava. Morreu no domingo 14, aos 77 anos, de complicações decorrentes de uma pneumonia.
Talento interrompido
Cantor, compositor, produtor e cineasta, Oliver Tree construiu uma trajetória marcada pela fusão de pop e música eletrônica. O trabalho do americano ganhou projeção na internet e no TikTok, em que o visual excêntrico, as roupas volumosas e as personas cômicas se tornaram marcas associadas a seu nome. Os videoclipes funcionavam como extensão desse universo performático, combinando humor ácido e melodias em formatos pensados para o consumo digital. De passagem pelo Brasil, Tree morreu de forma chocante, no domingo 14, aos 32 anos — era uma das seis vítimas da colisão entre dois helicópteros no Rio de Janeiro.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000







