Filha de um caixeiro-viajante que ganhava dinheiro cantando tangos e de uma enroladora de balas de coco, a humorista carioca Claudia Jimenez levou a vida na flauta, assobiando, apesar das dificuldades. Nem mesmo as três cirurgias de coração a que foi submetida, em decorrência de um câncer no tórax, a fizeram esconder o sorriso largo, que distribuía democraticamente. Claudia estreou no teatro profissional em 1978, como a prostituta Mimi Bibelô, na peça Ópera do Malandro, de Chico Buarque. Levada para a televisão, fez imenso sucesso com algumas das grandes personagens da comédia. A partir de 1990 viveu a saliente Dona Cacilda, na Escolinha do Professor Raimundo, de Chico Anysio, e seu impagável bordão: “Beijinho, beijinho, pau, pau”. Em 1996 explodiu como a doméstica Edileuza, do programa Sai de Baixo, em permanente conflito com Caco Antibes, interpretado por Miguel Falabella. “Era uma comediante muito refinada e, ao mesmo tempo, muito popular”, diz Falabella.
Claudia costumava dizer que soube de seu caminho, que parecia inevitável, já na infância. “Sempre fui palhaça, sempre. No colégio de freira me pagavam um chocolate, uma bala, para eu não deixar de ir na aula de religião, porque quando eu ia era um divertimento só”, lembrou. Profissional dedicada, ela mergulhava em cada nova empreitada como se fosse a última, mesmo com a saúde fragilizada. Ela morreu em 20 de agosto, aos 63 anos, no Rio, de insuficiência cardíaca.
O beijo mortal de Berlim
Poucas imagens representam tão claramente os anos de euforia que se sucederam à queda do Muro de Berlim, em 1989, do que o colorido beijo entre o líder soviético Leonid Brejnev e seu par da Alemanha Oriental, Erich Honecker. Em 1990, o russo Dmitri Vrubel foi um dos 117 artistas de 21 países convidados a criar trabalhos em um trecho ainda em pé da infame muralha. Ele recriou, então, uma foto em preto e branco do carinho entre os dois mandachuvas do comunismo — e o que nascera burocrático, registro de um encontro da dupla, virou ícone pop. Debaixo da ilustração, o artista escreveu: “Meu Senhor, me dê forças para sobreviver a esse amor mortal”. Vrubel morreu em 14 de agosto, aos 62 anos, em Berlim, de complicações da Covid-19.
Publicado em VEJA de 31 de agosto de 2022, edição nº 2804







