Datas: Antonio Carbajal, Owen Davidson e Theodomiro Romeiro dos Santos
O goleiro mexicano, o tenista australiano e o militante condenado à morte
O goleiro mexicano Antonio Carbajal fez história como o primeiro jogador de futebol a disputar cinco Copas do Mundo sucessivas — as de 1950, 1954, 1958, 1962 e 1966. Depois dele, apenas outros seis atletas alcançariam a marca: os compatriotas Andrés Guardado e Guillermo Ochoa, o alemão Lothar Matthäus, o italiano Gianluigi Buffon, o português Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. O argentino, aliás, é quem mais vezes entrou em campo em mundiais, com 26 partidas. O pioneirismo de Carbajal, contudo, o faz inesquecível — e há na sua aventura esportiva um capítulo brasileiro. Sua primeira partida em Copas foi contra o Brasil, no recém-inaugurado Maracanã. Disse Carbajal: “Foi um recital, nos passaram por cima e tive de pegar a bola no fundo da rede quatro vezes. Ademir (de Menezes) marcou dois. Me lembro dele porque foi um dos melhores atacantes que vi jogar, minhas defesas não tinham como detê-lo”. Carbajal morreu em 9 de maio, aos 93 anos, na Cidade do México.
Parceiro imbatível
Nos jogos de simples, ele nunca teve muito sucesso — mas em duplas, ao lado da americana Billie Jean King, o australiano Owen Davidson era quase imbatível. Nos anos 1960 e 1970, ele e King venceram oito títulos de Grand Slam em duplas. A tenista diria, depois, que a parceria com Davidson, em intermináveis horas de treinamento e competições, é que a levaria ao primeiro lugar do ranking mundial. Ele morreu em 12 de maio, aos 79 anos, em um subúrbio de Houston, nos Estados Unidos.
O primeiro condenado à morte
Em outubro de 1970, no auge dos horrores da ditadura militar e da luta armada contra o governo, três militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, o PCBR, receberam voz de prisão em Salvador, na Bahia. Um deles, o potiguar Theodomiro Romeiro dos Santos, ao entrar no automóvel que o conduziria à prisão, sacou o revólver de uma pasta e atirou no sargento da Aeronáutica Walder Xavier de Lima, que morreria em decorrência dos ferimentos. Theodomiro foi julgado em março de 1971 pelo Conselho Especial da Aeronáutica e sentenciado à pena de morte — a primeira de um civil na história do Brasil republicano — com base em um dispositivo legal que permitia a condenação máxima em casos considerados como “crimes de guerra”. Depois, a pena seria alterada para prisão perpétua e então reduzida para dezesseis anos em regime fechado. Algum tempo antes da anistia de 1979 — supondo que ela não o alcançaria, por ter cometido um crime de sangue — fugiu da cadeia. Foi ajudado por padres jesuítas, que o esconderam em um convento, e por deputados da oposição. Exilou-se na Cidade do México e depois em Paris. A ruidosa trajetória de Theodomiro o fez um dos mais conhecidos presos políticos do país. De volta ao Brasil, em 1985, estudou direito e virou juiz do trabalho. Em 2018, sofreu um AVC hemorrágico. Morreu em 14 de maio, aos 70 anos, em Olinda.
Publicado em VEJA de 24 de maio de 2023, edição nº 2842





