Datas: Angel Vianna, Marshall Brickman e Rogério Cezar de Cerqueira Leite
As despedidas que marcaram a semana
A dança contemporânea no Brasil teve uma mãe, a bailarina, coreógrafa e pesquisadora mineira Angel Vianna. Em 1955, ela abriu com o marido, Klauss Vianna (1928-1992), uma escola de balé inovadora, na qual os cânones do classicismo foram postos de lado — era fundamental dominá-los, de modo a poder abandoná-los. A ideia: misturar os passos de sapatilhas com o teatro. “Eu e Klauss trabalhamos muito com atores. Na época era tudo muito formal, rígido, e as pessoas não paravam muito para perceber, sentir e escutar. Quando o pessoal de teatro vinha trabalhar com a gente, tinha uma descoberta muito grande do corpo, de anatomia, e isso dava muita liberdade para criar”, disse em entrevista ao jornal O Globo. Essa união revolucionária das artes, que começava a brotar também nos Estados Unidos, ajudaria a renovar o trabalho de nomes como Tônia Carrero e a conceder a liberdade de corpo a estrelas em ascensão, como José Wilker, Marília Pêra e Renata Sorrah. Pelo conjunto da obra, Angel recebeu do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1999, a Comenda da Ordem ao Mérito Cultural. Em 2001, ela criou no Rio de Janeiro a Faculdade Angel Vianna, com a graduação em dança. “Gosto muito de gente. De nuvem também, que é um pouco como gente”, dizia. Morreu em 1º de dezembro, aos 96 anos, no Rio de Janeiro.
Roteiros para rir
A parceria entre Marshall Brickman e Woody Allen começou em 1973, com o roteiro de O Dorminhoco, uma comédia de ficção científica ambientada nos Estados Unidos do século XXII, agora um país totalitário, cujo protagonista, um homem tímido do século XX, saxofonista de profissão, descongelado depois de ter sido submetido a criogenia, é apontado como um líder do movimento rebelde para derrubar o governo autoritário. Juntos, escreveriam Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de 1977, cujo tolo título em português, literal a não mais poder, ajuda a traduzir a história de um casal cheio de problemas no cotidiano de Manhattan. O longa ganhou quatro estatuetas do Oscar: melhor filme, melhor diretor, melhor atriz (Diane Keaton) e roteiro original. Brickman morreu em 1º de dezembro, aos 96 anos, em Nova York.
A ciência como vida
O físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite era um homem de múltiplos interesses. Especialista em semicondutores e lasers, publicou ao longo de sua vida acadêmica mais de oitenta artigos científicos em periódicos indexados — citados mais de 3 000 vezes por seus pares — e quinze livros sobre temas diversos, relacionados a ciência e música clássica. Nos anos 1970, liderou a criação da Companhia de Desenvolvimento do Polo Tecnológico de Campinas (Ciatec), o primeiro parque tecnológico planejado do país, e o projeto de construção do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas. Crítico feroz da tecnologia adotada pelo Programa Nuclear Brasileiro durante o governo Geisel, teve sua indicação para a reitoria da Unicamp inviabilizada. Morreu em 1º de dezembro, aos 93 anos.
Publicado em VEJA de 6 de dezembro de 2024, edição nº 2922






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif)