Criação de unidade do Coaf contra facções no Rio esbarra na burocracia do governo Lula
Custo para implementar a unidade avançada do órgão é de R$ 5 milhões por ano, mas até agora a gestão petista não tirou o projeto do papel
Em novembro do ano passado, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ordenou ao Coaf que abrisse um escritório avançado no Rio de Janeiro para focar especificamente na asfixia financeira das facções criminosas que dominam a capital fluminense há décadas.
A ordem era uma das principais medidas anunciadas na esteira da resposta coordenada das instituições em relação ao forte impacto da operação deflagrada pelo governo de Cláudio Castro contra o Comando Vermelho no Complexo da Penha e do Alemão.
Quase quatro meses depois da ordem do STF, o escritório avançado do Coaf segue no papel. Para não deixar Moraes numa situação de constrangimento, o órgão, travado pela burocracia do governo Lula, decidiu custear passagens para que um funcionário do conselho esteja toda semana fisicamente presente no Rio de Janeiro para dar expediente numa sala improvisada do Banco Central.
Para que a unidade avançada do Coaf no Rio vire uma realidade, o governo Lula precisaria reorganizar a estrutura do órgão e abrir orçamento para que a equipe a estrutura fossem montadas na capital fluminense.
O Coaf fez todo o trabalho técnico para que o escritório fosse colocado para funcionar, mas até hoje o governo Lula não tratou como prioridade o combate a facções no Rio de Janeiro.
Para que fosse criado o escritório, segundo dados enviados pelo Coaf a Moraes, seria necessário um orçamento anual de pouco mais de 5 milhões de reais, dinheiro de troco, se comparado ao gasto bilionário do governo Lula com cartão corporativo, por exemplo.
“Informo que, tão logo o Coaf tomou ciência da ordem de vossa excelência, tratativas foram iniciadas junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, com vistas à estruturação formal do escritório regional, incluindo a análise e encaminhamento de providências destinadas à criação e adequação de cargos e à conformação da estrutura organizacional mínima necessária ao seu funcionamento. Essas tratativas encontram-se em andamento, observadas as etapas e condicionantes próprias do processo de organização administrativa e de pessoal no âmbito da Administração Pública Federal”, relatou a Moraes o presidente do Coaf, Ricardo Saadi, em dezembro.
Diante da resposta de Saadi, Moraes abriu prazo de cinco dias para que a PGR se manifestasse sobre os apontamentos do Coaf. A procuradoria limitou-se a registrar o empenho do órgão em cumprir a determinação, mas não sugeriu nenhuma medida que pudesse acelerar o processo junto ao governo Lula. E assim segue o tema.





