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Como deputado bolsonarista usou nome de Marielle e transfobia em ataques

Partidos entram com representação contra Rodrigo Amorim por conduta incompatível com decoro parlamentar. Caso vai parar na polícia e Ministério Público

Por Adriana Cruz Atualizado em 20 Maio 2022, 15h00 - Publicado em 20 Maio 2022, 11h44

Os ataques racistas e com referências à morte da vereadora Marielle Franco praticados pelo deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PTB), da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a parlamentares viraram caso de polícia, denúncias de injúria e violência política de gênero no Ministério Público e na Casa por quebra decoro parlamentar. O contra-ataque de dois partidos contra Amorim foi feito após declarações dele na sessão plenária de terça-feira, 17.
Na representação feita na Casa pelos deputados estaduais Carlos Minc e Waldeck Carneiro (ambos PSB) e o PSOL, eles alegam que a conduta de Amorim é incompatível com o cargo.

Em um dos trechos do documento, os deputados apontam que Amorim praticou injúria contra a deputada Renata Souza (PSOL). “houve “insinuação grave contra a signatária, baseada numa referência distorcida à produção de uma série de ficção sobre a vida e a morte da vereadora Marielle Franco, idealizada por Antônia Pellegrino (esposa do deputado federal Marcelo Freixo, a quem se refere como “Zé do Caixão”)”, diz trecho do documento.

Em outro, os deputados usam a fala de Amorim na sessão: “Quero deixar claro que a deputada que me antecedeu (Renata Souza) – essa sim, que utiliza o caixão da vereadora assassinada o tempo inteiro como plataforma, como propaganda – não me respondeu até hoje. Faço um desafio. Deputada, V.Exa lucrou vendendo as memórias e as confidências de Marielle? Quanto a senhora lucrou?”. Amorim ficou conhecido por quebrar junto com o deputado federal Daniel Silveira (PTB) placa em memória de Marielle assassinada com seu motorista Anderson Gomes em uma emboscada em março de 2018.

Na representação, os parlamentares afirmam que as “falas irônicas, agressivas e desrespeitosas são direcionadas, preferencialmente, contra o mandato da deputada Renata Souza (PSOL)”, sugerindo que sua escolha tem relação com o gênero da parlamentar, “restando claro que sua intenção é a de constranger e até mesmo de intimidar o exercício do mandato de uma mulher negra e favelada”. Declaram ainda que “o comportamento repetitivo e reincidente do denunciado, na caracterização da prática de violência política”.

O bloco do PSOL e PSB destaca ainda que Amorim praticou ataques gordofóbicos e transfóbicos aos vereadores Tarcísio Motta e Benny Briolly, ambos do PSol. Motta é vereador do Rio de Janeiro e Benny foi a primeira vereadora trans eleita pelo município de Niterói, Região Metropolitana, em 2020. “Hoje, na Câmara Municipal, o vereador que parece um porco humano estava lá chorando, dizendo que eu era gordofóbico […] em Niterói um boi zebu, que é uma aberração da natureza aquele ser que ali está – eles não enxergam – e tem um porco na Câmara de Vereadores, que eles também não enxergam”, afirmou Amorim na ocasião.

Nesta sexta-feira, Benny registrou queixa contra Amorim na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância contra Amorim. A deputada Renata Souza pediu ao Ministério Público investigação pela possível prática de injúria e violência política de gênero. Em nota, o Corregedor da Alerj, Noel de Carvalho, (SDD), informou que está analisando o caso na Casa e adianta que repudia “veementemente qualquer tipo de discriminação, assim como lamenta os excessos que ocorreram nas falas dos deputados no plenário da Alerj, que é a Casa das pessoas”.

Amorim entrou com representação contra a deputada Renata Souza que o teria chamado de “babaca”, “miliciano” e manifestantes bolsonaristas que estavam no plenário de “bois”. Ele alega ainda que o episódio aconteceu dentro do parlamento no exercício do mandato. “local apropriado para discussões duras de temas polêmicos”, argumentou.

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