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Como a campanha presidencial chegou à tragédia das chuvas em Minas Gerais

Presidenciável Zema foi à região, Lula irá visitar amanhã e Nikolas fez gravação de vídeo para Flávio ver os estragos na região

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 fev 2026, 15h43 • Atualizado em 27 fev 2026, 16h23
  • Até a tarde desta sexta-feira, 27, o Corpo de Bombeiros já havia confirmado mais de sessenta mortes provocadas pelas fortes chuvas que devastaram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, ao longo da semana. Os temporais, que deixaram as cidades alagadas e em constante estado de alerta para deslizamentos, já forçaram milhares de habitantes a deixarem suas casas, e equipes de emergência ainda buscam dezenas de pessoas desaparecidas sob os escombros.

    Como era de se esperar de uma tragédia ocorrida em ano eleitoral, a crise rapidamente ganhou contornos políticos e atraiu a atenção de autoridades em todos os níveis de governo. Entre ruas enlameadas e encostas desmoronadas, diversos candidatos foram atraídos à região para oferecer apoio à população atingida — e foram criticados por fazer campanha em meio à destruição.

    Na última terça-feira, 24, estiveram em Juiz de Fora o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o vice Mateus Simões (PSD) — pré-candidatos, respectivamente, à Presidência da República e ao governo mineiro. No dia seguinte, Zema seguiu para Ubá, onde visitou casas devastadas pelos temporais e, enquanto gravava vídeos para as redes sociais em meio ao lamaçal, ouviu duras queixas de uma moradora sobre a falta de maquinário para limpar a cidade. “Não adianta vir aqui limpinho pra fazer política”, declarou ela.

    O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), durante visita a regiões atingidas pelas chuvas em Ubá, na Zona da Mata
    O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), durante visita a regiões atingidas pelas chuvas em Ubá, na Zona da Mata (Redes sociais/Reprodução)

    Também ao longo da semana, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve na região, gravando vídeos enquanto sobrevoava a Zona da Mata de helicóptero e conversava com moradores em zonas alagadas. Em Ubá, o parlamentar chegou a fazer uma ligação de vídeo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, diante de vítimas dos deslizamentos e inundações e usou o telefone para mostrar os estragos ao presidenciável. “Tá precisando de muita força humana, tem que ter homem pra vir aqui trabalhar”, disse o deputado ao senador.

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    Assim como Zema, Nikolas foi recebido em algumas áreas sob protestos e foi acusado de tumultuar o trânsito local e atrapalhar os trabalhos das equipes de emergência durante a retirada de escombros e buscas por sobreviventes. “Sabe por que está tudo parado desse jeito? Por conta do Nikolas, está aqui no meio da obra, fazendo videozinho para o TikTok dele”, diz um morador de Ubá em vídeo que circula na internet.

    Após visita de ministro, Lula agenda viagem a Juiz de Fora

    Por sua vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta sexta-feira, 27, que visitará Juiz de Fora amanhã, sábado, para acompanhar os trabalhos de emergência. Pré-candidato à reeleição em 2026, o petista estava nos Emirados Árabes Unidos quando a crise começou a escalar — do Oriente Médio, ele ligou para a prefeita juizforana Margarida Salomão (PT), ex-deputada federal e aliada política, para articular o envio de equipes do governo federal junto às autoridades municipais.

    Na terça-feira, 24, já haviam visitado Juiz de Fora o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Goés, e o secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff. Ao lado de Zema e Margarida, ambos anunciaram a liberação emergencial de recursos à cidade, que havia decretado calamidade pública na mesma madrugada.

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